IBM Pulse 2009 discute necessidade da criação de infraestruturas dinâmicas

Publicada no GLOBO na Revista DIGITAL em 16/02/2009 e no site do Globo às 09h18m

http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2009/02/16/ibm-pulse-2009-discute-necessidade-da-criacao-de-infraestruturas-dinamicas-754426542.asp

Carlos Alberto Teixeira

Al Zollar na palestra de abertura do IBM Pulse 2009.

RIO - Aconteceu na semana passada, de 8 a 12 de fevereiro em Las Vegas, nos EUA, o evento IBM Pulse 2009, reunindo executivos, clientes e analistas do universo Tivoli da empresa. Tivoli é o braço do grupo de software da IBM que cuida de gerenciamento de sistemas, um complexo ecossistema tecnológico que se transformou numa grande plataforma para gerenciamento de mega-sistemas que envolvem grande número de instalações, data centers e dispositivos situados em locais remotos. Originou-se da compra da empresa Tivoli Systems, de Austin, no Texas, pela IBM em 1996.

Foi a segunda edição anual dessa conferência que se firmou como o mais importante evento de gerenciamento de sistemas. Seu foco principal foi a demonstração do conceito de "infraestrutura dinâmica", em que grandes sistemas se amoldam em tempo real às necessidades e às demandas que se modificam a todo momento em função de flutuações no mercado e de alterações nos próprios métodos e modelos de negócio.

Al Zollar ressaltando a necessidade de se quebrar
paradigmas na administração de sistemas.

Alfred W. Zollar, vulgo Al Zollar, gerente geral da IBM Tivoli Software desde 2004, foi o mestre de cerimônias do IBM Pulse 2009. Em sua palestra de abertura, destacou que o mercado na área de grandes sistemas está sendo impulsionado por desafios nunca vistos.

— Se a infraestrutura de sistemas se mantiver seguindo os mesmos paradigmas de sempre, a coisa toda vai quebrar. — preconizou.

Segundo Zollar, com a internet, os requisitos de governança e as obrigações regulatórias, há uma tendência de se perder o controle sobre as informações. Além disso, com a massa mundial de dados duplicando a cada vez em menos de dois anos, essa situação se torna ainda mais grave.

— A cada dia são gerados no mundo inteiro novos 15 Petabytes de informação, ou seja, oito vezes mais do que contêm todas as bibliotecas americanas em conjunto. — diz Zollar. — Além disso, houve em 2007 um aumento de 158% no número de ameaças e ataques à segurança de sistemas, em comparação com o ano anterior, o que aumenta a necessidade de controle severo nos processos administrativos de sistemas.

Em função desse aumento brutal da massa mundial de dados, houve um crescimento de também oito vezes nos custos de energia elétrica em data centers desde 1996 até a presente data.

— Se somarmos a isso a previsão de que em 2011 um terço da população mundial estará na internet, então logo perceberemos que precisamos adequar nossas táticas de gerenciamento de sistemas. É aí que entra em cena o conceito de infraestrutura dinâmica. — afirma.

Só nos EUA, estima-se que 30 milhões de sensores RFID entrarão em operação no corrente ano. Junto com eles, sensores utilizados em medições críticas em equipamentos de transporte, instalações e produção se transformarão em sensores inteligentes. Ou seja, o universo de dados digitais do planeta será alimentado com uma quantidade sem precedentes de novas informações.

Pautada no conceito de "Smarter Planet" (planeta mais esperto), a IBM identificou três caminhos a trilhar para estabelecer essa nova infraestrutura dinâmica. O primeiro deles é a integração das infraestruturas digital e física, permitindo administrar processos de negócio e ativos físicos, elevando a qualidade dos serviços oferecidos. Em segundo lugar, é preciso dar um jeito de armazenar e adminstrar uma quantidade inédita de informações. E para terminar, é preciso reduzir a um mínimo as ineficiências dos grandes sistemas — redundâncias, espaço mal utilizado, gastos desnecessários com energia etc.

A flexibilidade de processamento existente nos dias atuais pode ser uma saída. Nos modernos data centers, onde são realizadas milhões ou bilhões de transações eletrônicas por dia para empresas de grande porte, muitas vezes a carga de processamento de dados exige uma redistribuição de tarefas. Isso significa que alguns programas mais pesados podem ser transferidos para data centers menos carregados, situados muitas vezes em locais remotos.

Kristin Gallina Lovejoy

Segundo Kristin G. Lovejoy, diretora de estratégia de segurança corporativa e de gerenciamento de governança e risco da IBM, o conceito de nuvem computacional permite essa transferência de cargas de processamento.

— Às vezes, por exemplo, o custo de energia elétrica é alto demais no data center original onde um grupo de aplicações está executando. Para economizar na conta de energia, a solução é transferir partes do processamento para data centers distantes, situados em locais onde a eletricidade é mais barata. — diz Lovejoy. — E é a nuvem computacional que permite essa transferência que, no caso da IBM, é gerenciada pelo Tivoli.

Lovejoy salienta que, especialmente nesses tempos de crise, o conceito de nuvem computacional abre novos horizontes tecnológicos e de negócios.

— Uma pequena empresa situada numa zona rural pode construir uma aplicação inteiramente na web utilizando uma biblioteca de "widgets", pequenos programas modulares desempenhando funções básicas permitindo montar um sistema completo para um determinado negócio. Isso permite que a empresa funcione em seu local original, sem necessitar mudar-se para uma área urbana. — explica.

Mas ela aponta também um sério entrave na adoção generalizada do conceito de nuvem. É a questão da confiança.

— Apesar de já lidar com segurança computacional há mais de 15 anos e de ter plena consciência de que a nuvem é segura, ainda existem problemas de jurisdição e regulamentação nas diferentes regiões e países onde podem estar localizados os data centers. — esclarece Lovejoy. — Além disso, as pessoas e as empresas ainda não se sentem totalmente seguras ao saber que seus dados e programas poderão, em questão de milissegundos, ser deslocados, por exemplo, para Bangalore, na Índia.

Lovejoy destaca também as encrencas referentes à criptografia. Afinal, utilizando essa técnica seria possível encriptar todo um banco de dados e transferí-lo até para outro continente. No entanto, existem restrições legais americanas quanto à exportação de algoritmos de criptografia.

— Imagina o problema jurídico que surgiria caso alguns desses arquivos fossem parar na China, por exemplo. Estaríamos em apuros. — cogita.

Ela conclui que, para grandes empresas, a melhor solução seria terceirizar o processamento de dados pondo-o nas mãos de um provedor de serviço, ou seja, de uma empresa otimizada, que conheça bem o serviço, os riscos e as implicações, e que se dedique unicamente a essa atividade de gerenciamento. Todavia, novamente surge aí o temor das empresas em entregar seus dados para serem processados "fora de casa".

— Um provedor tem mais "higiene" no processamento de dados. Mas antes é preciso vencer a barreira da desconfiança que ainda trava as grandes corporações, que por sua vez são ambientes onde a tarefa de gerenciar sistemas ainda é muito falha, grande parte por causa das mudanças de gerenciamento na área de administração de sistemas e da má integração entre as aplicações, especialmente nos casos em que empresas menores são compradas pela maior e seus sistemas passam a precisar trabalhar juntos. — conclui.

Magic Johnson substituiu Michael Phelps em grande estilo

No ponto de vista antropológico do IBM Pulse 2009, é muito interessante notar a diferença de público entre os frequentadores de eventos de web, de internet e de computação pessoal, em comparação ao pessoal presente em conferências e exposições tratando de sistemas de grande porte e corporativos. Em primeiro lugar, a faixa etária dos participantes de conferências do segundo tipo é bem mais alta. E também o visual é um tanto mais careta, os diâmetros abdominais são bem mais amplos e os crânios bem mais desprovidos de fâneros capilares.

Para despertar os ânimos matinais, cada palestra de abertura do dia era precedida de um pequeno show de rock ao vivo. O rango oferecido era sempre bom, mas parecia ter sido preparado visando a não piorar a situação de placas gordurosas nas artérias dos participantes que, em sua maioria apresentam sinais do sedentarismo dos que passam a maior parte do tempo sentados diante de racks e computadores, administrando cargas de processamento, gerenciando grades de "storage" e fazendo acrobacias lógicas em redes digitais interconectadas.

Mas houve um imprevisto que animou ainda mais os participantes. Para o segundo dia do evento estava programada uma palestra do campeão olímpico de natação Michael Phelps, vencedor de oito medalhas de ouro em Beijing, em 2008. No entanto, poucos minutos antes da palestra, Al Zollar informou aos presentes que o manager de Phelps havia cancelado a aparição do atleta em função da encrenca em que ele se meteu nas últimas semanas, no incidente do cachimbo de maconha. Após transmitir o pedido de desculpas de Phelps, Zollar fez suspense quanto ao seu substituto, rapidamente contratado em função do imprevisto. Horas mais tarde, após as palestras previstas para a parte da manhã, surgiu no palco, ovacionado, o famoso jogador americano de basquetebol, e hoje empresário de sucesso, Magic Johnson.

Carismático, divertido e sabendo lidar magistralmente com a platéia, Johnson contou sua história de vida, com ênfase no período em que deixou o esporte, enumerando suas vitórias nos campos empresarial e filantrópico, e exortando os espectadores a enfrentar com fibra os atuais tempos de crise, almejando sempre a vitória, mesmo em condições adversas.

De resto, cada participante do evento, seja usando celular, câmera digital ou camcorder, documentou algo interessante por lá. Vídeos do evento, das palestras, dos shows e comentários, tudo isso já pode ser visto no Youtube, bastando buscar por IBM Pulse 2009.

  • Magic Johnson falando sobre duas etapas de sua vida — esportista e empresário:

  • Flagrantes do evento e seu entorno:

 

   

   
 

- c.a.t.

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