O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 48 - Escrito em: 1992-02-04 - Publicado em: 1992-02-10


Modemizando-se (Raios e coriscos)


Aquele bar do Hotel Leme Othon Palace está ficando pequeno para o encontro mensal dos BBSzeiros cariocas. A CUMBUCA (Confraternização Urbana Mensal de BBSzeiros e Usuários Cariocas Associados) de 29 de janeiro passado certamente bateu o recorde de participantes, alguns deles nunca tendo acessado qualquer BBS. São micristas em busca de novas aventuras. E a pergunta que mais faziam aos veteranos era: "Devo comprar um modem interno ou externo?". Muito bem, só algumas definiçõezinhas para começar.

Um modem interno é uma placa de circuito impresso que se adapta a um dos slots de seu micro. A placa é alimentada pelo próprio computador, não tendo uma fonte de alimentação separada para si. Por seu turno, o modem externo é uma engenhoca à parte, com chassis e fonte de alimentação próprios. Tem o aspecto de uma caixinha, com luzes (LED's) sinalizadoras e é conectada ao micro através de um cabo serial. Agora que sabemos diferenciar os dois tipos de modem, cabe ressaltar que, de forma geral, um modem interno costuma ser mais barato que um externo com as mesmas especificações técnicas.

Bem sabemos que não há carne sem osso, nem rosa sem espinhos. Cada tipo de modem traz bons e maus aspectos. Um modem interno, por exemplo, é projetado para um determinado padrão de micro. Quer dizer que um modem interno que funcione num PC, não funcionará num Mac. Outro aspecto da versão interna é que, conforme já dito, traz sua porta serial embutida. Caso você só tenha uma porta serial em seu micro e ela já estiver em uso, é melhor optar por um modem interno. A versão externa seria mais onerosa e necessitaria de uma placa serial adicional para ligá-lo ao sistema.

Um modem externo tem lá suas vantagens. Sendo um dispositivo portátil, só precisa de um simples cabo para se ligar a qualquer computador que tenha uma porta serial disponível. Para o usuário que tem sua máquina atopetada de placas de scanner, controladoras, fax, game ports, placas de som e trapizongas variadas, constitui dádiva dos céus um modem que não ocupe mais um slot em sua máquina. Para arrematar o encanto do modem externo, temos as tremelicantes e adoráveis luzes do seu pequeno painel de display. Uma mera piscadela em falso pode significar, para um BBSzeiro com um mínimo de experiência, que a conexão com o BBS está com problemas.

Chegamos então à seguinte conclusão: dispondo de bala na agulha e diante de dois modems com características semelhantes, o caro leitor ficará mais satisfeito com um modem externo. Lute por ele e depois use-o até gastar a pintura. Acostume-se às configurações dos LED's sinalizadores. Aprenda a interpretar os apitos, chiados e grunhidos que seu modem externo emitirá. Num fase seguinte, já calejado pela experiência, deixe que seu segundo modem seja um interno.

O primeiro modem que usei foi no escritório de um cliente. O aparato era um monstro externo nacional, do tamanho de uma caixa de sapatos. Meses depois tomei coragem e comprei um para mim: também externo. Made in Taiwan, marca: Sem Marca. Funcionava como um relógio suíco. Três anos depois vendí-o por um quarto do preço a uma simpaticíssima BBSzeira iniciante. Tristeza e saudades. Há poucos dias soube que meu estimado ex-modem foi torrado por um raio que atingiu a rede elétrica da infeliz colega usuária. Você que me lê: Quando estalarem os raios sob as nuvens das tempestades de sudoeste, seja bonzinho. Desligue da parede a tomada de força de seu micro e o cabo telefônico do modem. Máquina torrada deixa um mau-cheiro dos diabos, fora o prejú.


[ Voltar ]