O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 108 - Escrito em: 1993-04-05 - Publicado em: 1993-04-12


Ora pois


Durante a ronda quinzenal pelos assombrosos diretórios do Simtel20, encontrei uma pérola chamada LusoComm. Lá estava ela, no meio daquela infindável listagem de programas estrangeiros - um software de comunicação português e em português. Não pude esconder o orgulho de ver nossa língua mãe deitando e rolando num programa shareware disponível para o mundo inteiro. Na mesma hora mandei e-mail para o InterNeteiro que fez o upload do LusoComm para o Simtel20: Carlos Antunes. Imaginava que o cara nem fosse se dignar a responder, mas qual o quê. Cinco dias depois me chegou mensagem via PTUnet/EUnet, a polidíssima reposta do mancebo, revelando que ele não é o pai da criança e encaminhando-me cópia de uma reposta do próprio autor do LusoComm, o honorável Pedro Henrique Duarte, postada no VISUS BBS lá no além-mar (aparentemente rodando PC-Board, conferência número 134 versando exclusivamente sobre LusoComm).

O LusoComm foi projetado de forma a atender aos padrões vigentes na área, ditados pelos tradicionais programas Procomm, Telix e Telemate. Foi escrito inteiramente no braço, sem as costumeiras maquiagens e reaproveitamentos de código que se vê em muitos programas similares "originalmente" produzidos aqui em nosso gigante adormecido.

A única coisa que poderá causar estranheza para nós, acostumados ao dialeto brasileiro, é o uso da língua legítima: o português de Portugal. Reproduzirei em seguida as características funcionais do LusoComm, pinçando os termos empregados por seu próprio criador, PHD.

Portas seriais configuráveis de COM1 até COM8; endereços e IRQs também configuráveis; velocidades de 300 até 115.000 Baud; controle de fluxo RTS/CTS e XON/XOFF; auto-identificação de Baud, de parâmetros do porto e de UART; suporte ao buffer FIFO; auto-download; até 10 protocolos externos; modo Doorway; código de acesso; modo de conversação; emulação ANSI, VT52, VT102 e TTY; música ANSI; modo "point & shoot" para escolher ficheiros; rever sessão a cores; DESQview-Windows-OS/2 "aware"; linha de status; visionador ASCII interno sem limite de memória; linguagem script; janela com as "luzes" do modem; aprende scripts; codificação das senhas de BBSs; marcação temporizada; memoriza os 10 últimos comandos; oferece macros; grava imagem em ASCII ou BSAVE; oferece memorando; dissimulação dinâmica de ruído; configuração de cores; ocupa cerca de 232 kb em memória; possui versão 80286 (apenas para utilizadores registados); ocupa pouco espaço em disco e oferece suporte via BBS 24 horas por dia através de uma conferência nacional portuguesa, ecoada através da rede FreeNet, baseada em tecnologia Fido.

No momento, PHD está em plena labuta, implementando novas facilidades: protocolos internos e ainda um utilitário que permite calcular a quantia gasta em chamadas telefônicas através de uma análise do ficheiro de "log". Esta última barbada é um extra ao programa, sendo fornecido apenas aos "utilizadores registados". Estas novas funções estarão rodando "redondo" por ocasião do lançamento do release 1.0, em breve. A versão mais recente nas paradas é a 0.9bE, provavelmente já disponível no Simtel20 a esta altura do campeonato.

Com esta lista de features, é óbvio que o software é paulada pura. Quem quiser falar com o PHD via voz, basta ligar para Portugal em 00351-1-943-5600. Ou então mande e-mail InterNet para Carlos Antunes, que gentilmente ofereceu-se como intermediário, em "cma@eniac.inesc.pt". Se você acessa um BBS associado à Fidonet, pergunte ao seu Sysop sobre como proceder para enviar esta mensagem para o outro lado do Atlântico.


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