O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 247 - Escrito em: 1996-04-08 - Publicado em: 1996-05-20


Pô, seu guarda, eu?


Do jeito que nossa vida vai dependendo cada vez mais destas maravilhosas engenhocas informáticas e de seus sistemas interligados espalhados por toda a Terra, de vez em quando ficamos meio "na mão" dos computadores. E se o sistema falhar, o que acontece?

E falha sim, falha com freqüência e em muitos lugares. E não estou falando só de computadores brasileiros não. Tom Richford <tom@mvision.com> nos relata dois casos que se deram lá em Nova York. O sistema de computadores do Departamento de Polícia, em fevereiro passado, falhou duas vezes em duas semanas acabando por encrencar a vida de dois cidadãos inocentes. O primeiro caso se deu com um sujeito chamado Lebert Folkes, 30, que acabou levando um tiro na cara por reagir à prisão. O computador erradamente informou que ele estava dirigindo um carro roubado. O mesmo ocorreu dias depois com Lester Luis, 23, que levou um monte de sopapos e foi injustamente preso em seguida. A polícia mais tarde admitiu ter errado em ambos os casos -- culpa da máquina. No caso, o responsável por alimentar o sistema falhou em dar baixa quando os dois veículos foram recuperados.


PERIGOS DO AUDIO: Nosso amigo, o Andarilho, em recente visita ao Velho Mundo, ficou impressionado com os avanços nos transportes coletivos na Alemanha e na Inglaterra. Em Munique, claríssimos mapinhas dentro dos coletivos indicam cada parada e um display eletrônico informa qual é o ponto seguinte, junto com uma mensagem gravada em audio. Em Londres, alguns pontos de ônibus também informam os horários e linhas através de um software tagarela. Coisa de primeiro mundo. Um colega nosso de Internet, Philip Overy <pjo33@mailbox.rl.ac.uk>, sujeito afeito às tecnologias de audio, telefonia e rádio, apareceu com uns casos bem interessantes. Hackers ingleses arranjaram um jeito de sabotar o software falante dos pontos de ônibus, usados em substituição aos sinais escritos, estes sujeitos à ação de vândalos e inadequados para deficientes visuais. Os hackers reprogramaram o software de modo que, de tempos em tempos, as mensagens e avisos eram trocados por informações falsas, ou substituídos por ofensas e xingamentos pesados. Agora imagine num ponto desses, no meio da noite, só você e um sujeito bêbado e violento esperando ônibus. O software começa a emitir impropérios e o cara pensa que é você que o está ofendendo.

O Philip coleciona historinhas desse tipo, apontando perigos tecnológicos em potencial. Ele pegou emprestado o carro de um amigo, equipado com um daqueles rádios que suprimem todo o chiado em FM, quando não está recebendo sinal. Funcionava tão bem que ele nem notou que estava ligado, quando pegou o carro numa cidadezinha do interior da Inglaterra. Mas estava ligado sim, e com o volume quase no máximo. Pois quando chegou perto de Brighton, a FM local entrou com toda força, o rádio desandou a tocar bem alto e ele levou um baita sustão, quase jogando o carro para fora da estrada.

Tendo trabalhado por uns tempos numa companhia telefônica, Philip teve muitos colegas que viajavam amiúde para Cingapura a serviço. Um deles comprou um rádio-transmissor de mão altamente ilegal, capaz de transmitir na freqüência de uma das estações noticiosas mais populares na Inglaterra, a Radio 4 da BBC. Sempre que um motorista lhe incomodava ou lhe dava uma cortada, ele apontava o radinho para o sacripanta e estourava seus ouvidos com meia dúzia de palavrões.


ZIP NOVO? Já demos esse alerta aqui mesmo há quase um ano, mas ainda tem gente nossa se ferrando, portanto vale repetir. Se você usa o famoso utilitário de compactação de arquivos PKZIP, lembre-se que a versão 2.04G ainda é a mais recente, deliverada (epa!) no arquivo PKZ204G.ZIP. Estão aparecendo pela Internet perigosíssimos arquivos com nomes do tipo PKZ300B.ZIP e PKZ300.EXE, pretendendo ser a versão 3.00 do zip. Puro xaveco, pois na verdade trata-se de um vírus que detona seu hard disk assim que você o executa. Portanto, não caia nessa por favor. E passe a mensagem adiante para os infelizes que não lêem este caderninho.


CONCURSO ENCERRADO: Lembra do concurso lançado aqui em 01/04/96, premiando os 256 primeiros que decifrassem um string Ultra-PGP 3.5? Pois bem, ninguém matou a charada. Mas o que teve de nego chutando solução doida, nem te conto. Quem quiser saber a resposta, que aliás não requer nenhum software nem ao menos um computador, envie e-mail para carlos.alberto.teixeira@pobox.com e por favor tenha paciência na resposta, pois o nosso mail server é ma-nu-al.


[ Voltar ]