O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 277 - Escrito em: 1996-12-10 - Publicado em: 1996-12-13


Em tempos de fartura biscoiteira, um software anti-cookie


Não dou a mínima para esse negócio de PGP, mas sei muito bem que a leitora se amarra no assunto, portanto não posso me furtar a rolar uma barbada que me chegou agorinha do amigo Jorge Vismara <jvismara@internetaddress.com>.

A firma do Phil Zimmermann, a Pretty Good Privacy, Inc. <http://www.pgp.com>, inaugurada em março do corrente ano e atualmente líder mundial em software para privacidade digital, acabou de anunciar o lançamento do PGPcookie.cutter, um plug-in que provê melhor anonimato individual para web-surfistas. O programeto protege o usuário bloqueando seletivamente os malditos web cookies (cookie significa biscoito e pronuncia-se "kúki"), aqueles arquivinhos safados criados pelos servidores Web e petulantemente armazenados na sua máquina de forma a registrar os caminhos que você trilhou pelos sites visitados, os locais onde você realizou compras online, quais foram suas transações eletrônicas e outros itens de informação privada. Na verdade, o produto é apenas mais um a oferecer essa proteção. O NSClean já fazia isso, por US$ 20.

Mas o lançamento da PGP traz um nome de peso, sem dúvida. O novo software permite que você selecione os sites que poderão sugar essas informações suas. Quando você está passeando pela Web, esses cookies podem fornecer indicações dos sites que você andou visitando. Assim, os cookies acabam revelando seus gostos pessoais e comportamentos sem que você se aperceba do fato. Num exemplo carioca, imagine um flamenguista que passa horas no site do Botafogo. Essa atitude, embora louvável, poderá eventualmente depor contra o torcedor numa ocasião posterior, no meio rubro-negro. É bem verdade que, às vezes, os cookies podem ser úteis, como no caso em que um código de acesso a um site fica gravado na máquina do usuário, mas atualmente, a quantidade de cookies que nos empurram é uma coisa de doido. Experimente sair navegando a esmo com a advertência de cookie ligada no seu browser. É apito toda hora, um saco.

Os administradores de sites podem, graças a novos serviços sendo oferecidos na Web, selecionar indivíduos para marketing direto, através das informações contidas nos cookies. Basta sair cruzando os dados coletados com as informações pessoais existentes nos grandes bancos de dados e construir um detalhado perfil de consumo de cada usuário.

O software bloqueador inclui um item no menu do browser indicando o número de cookies que cada web site vai tentando gravar na sua máquina. Aí o usuário é indagado se autoriza ou não a cookagem. O PGPcookie.cutter oferece uma interface bem amigável e só libera cookies para sites em que você confiar, de acordo com suas seleções e baseado na interceptação do fluxo de dados na rede. Para rodar o bicho, nessa primeira versão que será lançada na virada de 1997, seu sistema operacional deverá ser Microsoft Windows 95, Windows NT 4.0 ou MacOS System 7. Só vai valer inicialmente para o browser Netscape Navigator version 3.0 ou maior. Usará 1 mega de memória sapo, digo rã, e ocupará 1,5 megas em disco. E vai custar uma fortuna: US$ 19,95. Se quiser maiores informações, e-maile Mike Nelson <mnelson@pgp.com> ou Todd Coffin <tcoffin@pgp.com>. Se ainda estiver vivendo no início do século, prepare seu inglês e use o telefone comum: 001 (415) 654-3203, ramal 3227.


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