O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 280 - Escrito em: 1996-12-26 - Publicado em: 1997-01-05


Assinaturas digitais


Não é de hoje que a turma está estrilando nos EUA com esse negócio de captura de assinaturas. Em muitos estabelecimentos comerciais, ao efetuar uma compra com cartão de crédito, o comprador é instado a assinar num apetrecho que registra eletronicamente seu autógrafo. Como sempre bastante preocupados e conscientes dos perigos que corre sua privacidade, muitos usuários norte-americanos lançam potentes argumentações contra este procedimento e soltam as cachorras nos newsgroups que abordam o assunto. A discussão seguia acalorada e interessante, até que um cavalheiro declarou em tom professoral que tinha a solução contra a temida possibilidade de forjarem sua assinatura: ele jamais assinava um cartão de crédito – deixava em branco o campinho onde deveria assinar. Nem preciso dizer que o referido beócio imediatamente se transformou no "pele" do newsgroup e foi devidamente escovado e bombardeado com os mais cáusticos replies e comentários.


Quem ainda se lembra das interessantes trocas de mensagens dos tempos dos BBS e sente saudades daquela adorável confusão? É possível desfrutar de um ambiente semelhante, só que a nível mundial. E nem precisa saber outro idioma, vale o português mesmo. Se você tem acesso a news, visite os newsgroups soc.culture.brazil e soc.culture.portuguese. Os temas são os mais variados possíveis e a regra número um é: meta o bedelho à vontade na conversa alheia. Os threads (encadeamentos de mensagens versando sobre um mesmo assunto) são por vezes longuíssimos e o pessoal viaja brabo nas discussões. Dá-se muita gargalhada acompanhando as conversas. Os freqüentadores são, geralmente, usuários que estão trabalhando, estudando ou simplesmente morando no exterior e sentem saudades dos conterrâneos. Escrevem com a maior naturalidade sobrequalquer matéria. Quebra-pau é o que não falta. Se você freqüentava os BBS nos áureos tempos, vai encontrar lá dentro muitos dos veteranos que inflamavam os boards, desde os idos de 1988. Também vai ler muita gente supostamente séria escrevendo um monte de abobrinhas sem o menor pudor.


Visite http://www.braintennis.com e acompanhe uma fumegante discussão sobre e-mail spamming, aquela mania de que já falamos aqui: gente ou empresas que metralham mensagens e-mail indiscriminadamente. Estão querendo, nos EUA é claro, legislar sobre a questão, visando punir os adeptos dessa prática maldita. Alguns mais afoitos querem que as concessionárias de telecomunicações e os provedores Internet comecem a monitorar o envio de e-mail por parte de todos os usuários, realizando contagens de mensagens enviadas. Assim, quando um usuário estourar os valores aceitáveis, um sininho toca em algum lugar e o sujeito é dado como suspeito de e-mail spamming. Leia agora e espere uns dois ou três anos até a idéia pegar aqui na terrinha.


Em 1996 dobrou o número de provedores Internet nos EUA. Apareceu muito peixe pequeno, oferecendo acesso mais barato nas localidades menores. Tem mercado para todo mundo, pelo jeito. Mas essa tendência parece ter seus dias contados, segundo os visionários da rede. A palavra-chave para o futuro próximo será "conteúdo" e nesse filão os grandes estão despejando bilhões de dólares. Quando estiverem com os depósitos bem cheinhos, começarão a baixar vertiginosamente o preço cobrado pelos acessos. Falam até em acesso full inteiramente grátis. E aí, gente boa, a quebradeira dos pequeninos vai dar pena.


Nosso colega francês <[email protected]> nos conta um caso que se deu numa agência governamental em Strassbourg. Estavam todos trabalhando tranqüilos e de repente chegou a polícia com um mandado de busca. Perguntaram qual era a mesa do Fulano. Quando lá chegaram encontraram um pequeno Mac. Desplugaram a jeitosa caixinha e levaram a maquineta embora. O tal Fulano não estava lá para protestar. Tinha sido acusado de falsificar papéis usando PageMaker, um Mac e uma impressora laser de alta definição. Quando os meganhas saíram, o pessoal começou a dar risada. Tudo que o Fulano havia usado para aplicar seu golpe ainda estava operando normalmente no escritório. O Mac estava ligado em rede, portanto o PageMaker ainda estava rodando no servidor, os arquivos de dados lá estavam também. E a poderosa impressora estava em operação na saleta ao lado. Fulano, que não era bobo, não deixava nada que o incriminasse no Mac. Talvez a coisa mais ilegal que teria em sua máquina seria uma cópia pirata de algum screen saver. Vai acabar achando que o crime compensa, pelo menos enquanto contar com o despreparo da polícia, a de lá, é claro.