O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 304 - Escrito em: 1997-06-17 - Publicado em: 1997-06-23


A prova final


Acontecem certas coisas nesse mundão, que a gente custa a acreditar. Existe uma mailing list chamada "This is True" (Isso é Verdade) que traz periodicamente coletâneas de fatos estranhos, dispostos em tópicos curtos e curiosos. Mande e-mail para <listserv@netcom.com> com corpo da mensagem: subscribe this-is-true


O amigo Gustavo Henrique de Andrade <gustavo.andrade@pobox.com> recebeu via Internet um relato dado como verídico e que faço questão de compartilhar com vocês. No início desse ano, a tripulação de uma traineira japonesa foi resgatada no Mar do Japão, agarrada aos destroços de sua embarcação que naufragara. O resgate foi seguido de prisão, logo após terem as autoridades interrogado os marujos quanto às causas do acidente. Disseram os náufragos que uma vaca repentinamente caiu do alto, do pleno céu azul, indo se espatifar no meio de traineira, fazendo-a ir a pique em poucos minutos. Obviamente ninguém engoliu essa lorota dos marinheiros e foi todo mundo em cana no ato.

Os desgraçados ficaram na cadeia várias semanas, até que a Força Aérea Russa relutantemente informou às autoridades japonesas que a tripulação de uma de suas aeronaves de transporte aparentemente havia roubado uma vaca que estava pastando perto de um aeroporto militar na Sibéria. Forçaram o ruminante avião adentro e levantaram vôo. Mal preparados para carga viva, os tripulantes se viram em apuros quando a vaca ficou nervosa e começou a quebrar tudo no compartimento do avião de carga. Para salvarem a aeronave e suas próprias vidas, abriram a porta do baú e zuniram a vaca no espaço, quando sobrevoavam o Mar do Japão a 10 mil metros de altitude.


Informática, Internet e pragas semelhantes estão motivando muita gente nova a abraçar a carreira dos bits e bytes. Há pouco tempo deu-se um fato com dois estudantes de Engenharia de Sistemas aqui no Rio, que eram conhecidos por serem verdadeiros feras. Tiravam ótimas notas em quase tudo e já estavam até famosos entre os professores. Na cadeira de Algoritmos III não foi diferente: gabaritaram todos os testes, superaram a todos no laboratório e apresentaram trabalhos práticos impecáveis. Se fizessem a prova final, era quase certo que passariam com louvor.

Os dois camaradas estavam tão confiantes quanto à final de Algo III, segunda-feira bem cedo, que decidiram subir para Friburgo durante o fim-de-semana para uma baita festança que ia rolar. Divertiram-se de monte, mas a farra foi tão animada que no domingo baixou a maior ressaca e os dois bodaram o dia inteiro na casa dum amigo. O sono se arrastou noite adentro e os carinhas só acordaram na madrugada da segunda, desceram a serra feito doidos e acabaram perdendo a prova final.

Foram direto ao professor, que estava em sua sala logo após ter aplicado o teste. Disseram que tinham subido para Friburgo para estudar na casa de uns amigos. Mas na descida, que azar, furou o pneu, eles não tinham sobressalente e foi o maior sufoco para encontrar alguém que parasse para ajudar. Com toda essa atrapalhação, acabaram chegando tarde à Universidade e perderam a prova.

O professor fez uma carinha estranha, mas sendo um sujeito compreensivo e sabedor da ótima fama dos dois, abriu uma exceção e propôs que fizessem a prova no dia seguinte. Os dois suspiraram de alívio, agradeceram a compreensão, despediram-se e foram para casa estudar, dessa vez prá valer. Batalharam pesado durante a noite e, no dia seguinte, apresentaram-se pontualmente no local marcado pelo mestre. O professor os acomodou em salas separadas, entregou as provas e começou a marcar o tempo.

O teste valia 100 pontos e tinha apenas duas questões. Cada um na sua sala, incomunicáveis, eles olharam a primeira questão, que só valia 5 pontos. Era um problema até bem simples sobre árvores-B e listas duplamente encadeadas, uma moleza. Tiraram "de letra" e viraram a página. A segunda questão, essa sim, valia 95 pontos: "Qual foi o pneu que furou?"


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