O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 311 - Escrito em: 1997-08-07 - Publicado em: 1997-08-11


Wired menos cool


No dia em que batí à porta do Phil Zimmermann, autor do PGP, e o convencí a me deixar entrar e tomar um café, ele me recomendou que desse uma olhadela numa revista nova que estava agitando a comunidade informatizada americana: a Wired. Levei um impacto com o visual e logo assinei a publicação. De fato, o material sempre foi interessante, mas a estética começou a me irritar e acabei suspendendo a assinatura. Quando queria alguma coisa de lá, pedia a revista emprestada a algum amigo ou lia pela Web. Com seu estilo metido a vanguardista, a la MTV, a linguagem gráfica da Wired sempre me pareceu desagradável e já ouví muitos comentários semelhantes de colegas ex-leitores da revista.

E agora, segundo Kevin Kelly, editor executivo da Wired, a revista já se cansou de ser "cool" demais. Pelo jeito, muita gente também ficou de saco cheio das firulas relampejantes da publicação e as vendas despencaram. A Wired vai entrar numa fase pós-cool e largar o velho estilo californiano, passando a dar mais atenção ao que se passa no pedaço mais conservador do mundo digital. É fogo de palha, dizem uns. Vamos ver se aguentam competir com a concorrência na base de layouts mais brandos e menos agressivos.


Para alguns que estão começando do zero, às vezes parece impossível acompanhar essa onda da Internet. É tanto termo técnico, tanta coisa misteriosa, que o novato fica pensando que nunca vai conseguir aprender tudo. E não vai mesmo, pois ninguém aprende tudo sobre a Internet -- o negócio é ir mordendo aos pouquinhos. Saber inglês ajuda muito e para os que têm um conhecimento razoável desse idioma e ainda estão meio perdidos nesse labirinto, existe a mailing list Learn-Net.

Diariamente milhares de pessoas se conectam pela primeira vez à Internet e se deparam com um mundo vastíssimo e enigmático. Todavia, muitos dos que já passeiam pela rede há algum tempo ainda se restringem às ferramentas básicas. Se você quer boas dicas sobre como se adaptar à Internet de acordo com seus estilos e interesses pessoais, vale a pena entrar para essa lista, que é um projeto de um estudante de graduação chamado Robin Martin <roses9@idt.net>. Vale tudo dentro do tema "Internet para novatos" e entra quem quiser, de graça. É claro que os freqüentadores da Learn-Net não saberão resolver problemas específicos do seu provedor Internet. Em casos assim, você terá mesmo que se entender com o seu wizard local. Para participar da lista Learn-Net, envie e-mail para majordomo@iastate.edu com subject em branco e corpo da mensagem "subscribe learn-net" sem as aspas.


Ao mesmo tempo que está se transformando em algo cada vez mais complexo, o projeto de páginas Web vai ficar mais versátil com os sucessivos avanços nos padrões mundiais. Quem está por trás disso é o W3C (World Wide Web Consortium <www.w3.org/Consortium/>), grupo fundado em 1994 para desenvolver protocolos padronizados visando dar um rumo à rápida evolução da Web. Trata-se de um consórcio internacional da indústria, com representantes nos EUA, Europa e Asia. O W3C, como sempre, está contribuindo com regras inovadoras, dessa vez com o propósito de definir de que forma os fonts (tipos gráficos de letras) serão especificados e downloadeados para dentro de uma página Web. O esquema vai seguir o padrão CSS1 (Cascading Style Sheets, level 1). Se a leitora é chegada a detalhes técnicos, então deleite-se em <www.w3.org/TR/WD-font>, onde eles dão um verdadeiro show de especificações. Você aprenderá, por exemplo, que o novo padrão poderá representar textos nos idiomas Bopomofo, Gurmukhi, Gujarati e Devanagari. Tibetano? Não, tibetano ainda não vai ser dessa vez, por culpa do Unicode 1.1. Tire um tempinho, passe lá no site dos caras e aprenda um monte de coisa nova.


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