O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 322 - Escrito em: 1997-10-20 - Publicado em: 1997-10-27


Pequenos incêndios


A Web tem uma particularidade notável: qualquer internauta pode opinar sobre um determinado website e divulgar suas impressões na própria Web. A desvantagem disso é que não necessariamente conhecemos quem está se manifestando, de modo que a cadeia de recomendações acaba ficando meio sem pé nem cabeça. Mas imagine agora uma instituição tradicional e bem conceituada dando seu parecer sobre um certo site. Aí sim, a coisa começa a ficar boa. O que a leitora precisa conhecer a dica que nosso colega Marcos Palacios <palacios@ufba.br> acabou de me passar: o BIG, Britannica Internet Guide <www.ebig.com> que analisa, avalia e classifica mais de 65 mil websites, em inglês é claro. Com dois séculos de experiência em publicações, a Enciclopaedia Britannica é indubitavelmente uma voz respeitável no meio dessa tagarelice digital da rede. Visite o BIG e preste atenção aos sites com três estrelinhas, os melhores da Web, segundo eles.


Um dos maiores provedores Internet do pais, o Inside Information Systems <www.iis.com.br> já está se prevenindo contra o fantasma do black-out. Segundo Charles Miranda, diretor-executivo do Inside, existirá uma forte ameaça de colapso no fornecimento de energia elétrica nos próximos meses e por todo ano de 1998. Diante disso, o Inside saiu mais uma vez na frente e adquiriu um gerador próprio. A máquina é um monstrengo que o Charles acomodou com jeito bem ali na garagem da firma. A instalação é esmerada e, no caso de falha elétrica na rede, o gerador entra em ação automaticamente. Os usuários do Inside não vão nem perceber a queda de luz e continuarão trabalhando normalmente. Com o novo gerador, o Inside pode manter toda a estrutura do provedor funcionando por vários dias sem nenhum fornecimento externo de energia elétrica. Charles imagina uma situação a nível nacional ou regional, como por exemplo, a falta de energia em todo o sudeste. Talvez com esse quadro muitos usuários não consigam acessar a rede, a menos que suas casas ou empresas possuam também geradores próprios. Mesmo assim, as caixas postais, home pages e todo o resto do sistema Inside estarão funcionando normalmente, sem interrupção dos serviços.


ERRATA: O endereço correto para você contribuir para a coletânea de asneiras comuns encontradas no português escrito é: <www.tecgraf.puc-rio.br/~cat/asneiras.htm>


Meu amigo Celso Japiassú <japiassu@iis.com.br> apareceu com esse caso verídico que se passou com um camarada da cidade de Charlotte, Carolina do Norte, EUA. Esse charlotense comprou uma caixa de 24 charutos, raros e caríssimos. Conhecendo a tradição e os meandros do sistema jurídico americano, resolveu dar uma de esperto e protegeu seu investimento, fazendo um seguro de seus charutos... contra incêndio. Durante um mês deleitou-se fumando calmamente todos os fabulosos charutos da caixa e logo depois entrou com um pedido de pagamento do seguro, junto à companhia seguradora.

Quando instado a se declarar, o indivíduo afirmou que havia perdido os charutos numa série de "pequenos incêndios". A seguradora negou-se a pagar, alegando a razão óbvia de que o cidadão havia consumido os charutos da maneira normal. Como resposta, o homem entrou na justiça e ganhou a causa.

Ao invés de iniciar uma batalha judicial, a empresa seguradora acatou de imediato a decisão e pagou ao homem US$ 15 mil pelos valiosos charutos perdidos nos "incêndios". Mas a estória deu sua virada logo depois que o espertalhão sacou o cheque no banco. Ele foi preso e levado a julgamento. "Ora, mas porque isso?" -- perguntaria a leitora. É que a seguradora fez 24 queixas à polícia, acusando o homem de ser um incendiário. De posse de toda a documentação e testemunhos do caso anterior, a seguradora usou esses elementos como provas contra o engraçadinho, que foi sumariamente condenado por ter intencionalmente produzido os pequenos incêndios que consumiram seus charutos. Foi sentenciado a 24 penas consecutivas de um ano de reclusão.


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