O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 325 - Escrito em: 1997-11-10 - Publicado em: 1997-11-17


Mulheres


A faixa de areia da praia em frente à rua Garcia D'Ávila em Ipanema foi chamada por algum tempo de Arizona, alusão à marca de cigarros cujo slogan era "os homens se encontram no Arizona". Ou seja, quem quisesse ver as gatinhas bronzeadas do bairro, que fugisse da Garcia. Por muito tempo pensou-se que a Internet fosse mais um Arizona: navegar na Rede era coisa só de homem. Mas que nada, e a leitora está aí de prova.

Pesquisadores da Web estão se dedicando a descobrir o que leva as mulheres a surfarem na Grande Rede. Ótima notícia para a horda de anunciantes que estão se acotovelando em busca da atenção das madames. Parece um sinal evidente de que mais e mais sites estarão oferecendo conteúdos voltados para as mulheres, num formato que as visitantes femininas achem mais útil e agradável. Prevê-se que muito em breve as search engines encontrarão cada vez mais sites "para" mulheres, ao invés de "sobre" elas.

De acordo com empresas especializadas em pesquisas sobre Internet, são 25 milhões as mulheres online na Rede, representando cerca de 43% da população internética mundial. Espera-se que na virada do século, as mulheres cheguem aos 50%. Mas na hora de comprar, elas ganham longe dos homens, pois representam 70% das vendas a varejo via Web. Isso faz delas o alvo principal da propaganda digital, pois muito embora o valor das compras que as internautas fazem ainda seja baixo, outro ramo das pesquisas indica que a Internet tem sido cada vez mais o local onde as mulheres se decidem quanto ao que vão comprar.

O perfil da habitante da Internet nos EUA é o de uma mulher de meia-idade, com seus 41 anos, de classe média-alta. Passa 6 horas por dia online e ganha US$ 63 mil por ano. Ela gosta da Web porque ela é conveniente, confortável e divertida.

A melhor forma de projetar sites Web que atraiam mulheres parece ser fazê-los bastante interativos, pessoais e duradouros. A facilidade de localizar e pesquisar produtos é um ponto importante, mas a chave é fazer as navegantes confiarem no site e, se possível, prover meios para que elas interajam umas com as outras de modo a compartilharem opiniões e interesses. Ao contrário dos homens, as mulheres não se atraem pela Internet pelo simples apelo tecnológico, mas sim como uma ferramenta que pode facilitar-lhes muito a vida.

O fato de serem raras as mulheres fuxiqueiras de máquina despertou até interesses acadêmicos, como o de um estudioso de nome Paul N. Edwards <pedwards@pcd.stanford.edu>, especializado na história política, social e cultural dos computadores e de seus usos. Ele está preparando um estudo detalhado sobre mulheres hackers, baseado em entrevistas telefônicas e via e-mail. O objetivo do trabalho é investigar mitos e realidades que cercam o papel das mulheres na computação, em especial nos anos 60 e 70, ocasião em que os autores argumentavam que a arte dos hackers estava restrita aos homens. Paul tem feito muitas entrevistas com mulheres que atuaram como hackers e declara que as experiências relatadas po essa minoria são fascinantes. Ele ainda está em busca de novas voluntárias que tenham tido alguma vivência hacker ou que tenham de algum modo se relacionado com esse restrito mundo. As pesquisas do Paul concentram-se em hackers no período pré-1985, mas isso não exclui seu interesse em entrevistar fuxiqueiras mais recentes. Ele preparou um questionário que serve de base para as conversas, que podem ser confidenciais, caso assim prefiram as entrevistadas. Paul procura também por documentos ligados a hackers femininas, por exemplo, e-mails antigos, logs, correspondências de qualquer tipo, artigos de newsgroups Usenet e mesmo literatura já publicada.

Se a leitora conhecer ou for uma hacker e quiser participar da pesquisa, entre em contato com o Paul, cujo e-mail aparece lá em cima e cuja Web page é http://www.stanford.edu/group/STS/edwards.html.


Dica para a minha amiga Marly, que também serve para toda a galera iniciante: envie e-mail para <BobRankin@MHV.NET>, com corpo da mensagem em branco e subject: "send accmail.pt" sem as aspas. Você receberá um texto de 82 kb em português de Lisboa, com ótimas dicas sobre o uso esperto de e-mail. Um belo e abnegado trabalho de tradução do nosso colega ultramarino Joao NEVES <jmne@rnl.ist.utl.pt>. O texto vem Uuencoded, mas isso o seu browser tira de letra.


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