O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 331 - Escrito em: 1997-12-17 - Publicado em: 1997-12-29


Coisas do cão


Um camarada muito observador, chamado Lindsay F. Marshall <Lindsay.Marshall@newcastle.ac.uk>, professor de computação na Universidade de Newcastle upon Tyne, Inglaterra, andou juntando peças de um quebra-cabeças e chegou a uma série de conclusões, que recentemente publicou na mailing-list Risks Digest. Ele leu na página "Letters", da publicação "Fortean Times" <www.forteantimes.com>, uma carta levantando os riscos de se implantar sistemas de GPS (Global Positioning Systems -- Sistemas de Posicionamento Global) em telefones celulares. Segundo a missiva, este será o tema central das discussões obre privacidade nos anos vindouros. Até aí, tudo bem, mas a coisa fica interessante no prosseguimento da carta, cuja versão faço a seguir.

"Muitos dos dados referentes à paranóia que envolve a telefonia celular, ou o serviço avançado 911, vêm das publicações da empresa Lucent <www.lucent.com>, também conhecida como Bell Laboratories -- AT&T e Sandia National Laboratories.

Lucent parece ser algum tipo antigo de nome -- Luc(iferic) Ent(erprises), como sugeririam pessoas envolvidas em caça às bruxas -- mas quando o assunto é software, eles têm um sistema operacional em tempo real chamado 'Inferno', escrito numa linguagem de nome 'Limbo', com um protocolo de comunicações chamado 'Styx'. A documentação do produto parece-se menos com engenharia e mais com doutrinação. Os escritórios centrais ficam na 5a. avenida, número 666, em Nova York. O logotipo da companhia é um estranho círculo vermelho que parece representar um olho de boi, a estrela Aldebaran na constelação do Touro, também associada ao deus egípcio Set...

A Lucent tem feito bastante recrutamento ultimamente. Seu produto carro-chefe é algo chamado Airloop, que se parece com um celular incorporando voz e dados. É controlado por uma pequena caixa que , segundo penso, estaremos vendo em todo canto em breve, chamada BSD2000 (a empresa parece ter um gostinho especial por números de milênio em seus códigos de produto)."

Pelo que vemos, o Lindsay está vendo um monte de fantasmas nessa história da Lucent. Visite a página dele em <http://catless.ncl.ac.uk/Lindsay> e me diga se ele até não parece um cara normal. Bem, particularmente não gostei desse negócio de "catless", mas de qualquer modo, diga-nos por e-mail o que acha da tal carta: <cat@iis.com.br>. Todas as vezes que anteriormente preparei algum artigo que mencionava essas coisas satânicas, sempre deu alguma encrenca na minha máquina, ou eu torcia o pé, ou caia da moto, ou alguma esquisitice assim. Mas acho que dessa vez, já posso tocar no assunto. Espero.


Cuidado para não cair em armadilhas de ensino à distância via Internet. Um monte de gente lá fora já se deu mal com esquemas fraudulentos que às vezes prometem diplomas em até 27 dias. Em muitos casos, tudo o que essas "instituições de ensino" têm de real é um mero Web site. Não se deixe enganar pelo aparente ar solene que tem um domínio com sufixo ".edu". Segundo o Chronicle of Higher Education, de 19 de dezembro, a empresa Network Solutions, que registra nomes de domínio Internet, garante que dá um sufixo ".edu" a qualquer um que o pedir. Nos EUA existem umas poucas entidades autorizadas a promover cursos via Internet. Aqui no Brasil algumas já se aventuram a explorar esse filão, portanto abra o olho.


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