O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 401 - Escrito em: 1999-04-27 - Publicado em: 1999-05-03


Um espaço onde soltar os cachorros


Nova lista reúne usuários descontentes com seus provedores

Muitos provedores de serviço Internet têm pisado na bola com seus clientes. A quantidade de gente insatisfeita é de arrepiar os cabelos. Se você já passou por situações desagradáveis, tragédias e histórias de terror envolvendo provedores, ou se tem elogios a fazer sobre os serviços prestados, é bom assinar o quanto antes a movimentada lista gratuita "Provedores". Para tornar-se assinante, envie e-mail em branco para <provedores-subscribe@onelist.com>. A iniciativa de abrir essa lista foi do tradutor Antonio Carlos <Ancarsan@Rio.Nutecnet.Com.Br>, que se sensibilizou com o ranger de dentes da coletividade de internautas. É importante que haja uma consciência de que, no momento em que a comunidade de usuários de provedores Internet decidir se unir, ai sim, terá poder para exigir melhorias nos serviços e com isso todos se beneficiarão. E no meio desse bafafá e da acirrada competição, os bons provedores certamente sairão ganhando.


Quando anunciei que um restaurante canadense oferecia pagers emprestados aos seus clientes, uns três ou quatro espertinhos enviaram e-mail dizendo que isso já existe aqui mesmo no Rio. Tá bom, eu sou de sair pouco mesmo e mal conheço essas sofisticações aqui na terrinha. Mas quero ver quem é que bate essa: a esposa do meu amigo Jorge Vismara lá em Marina Del Rey, Los Angeles, marca dia e hora com a faxineira... via e-mail. Cadê? Cadê?


A Unimax Informática e a Oracle firmaram na semana passada um importante acordo de distribuição aqui no Brasil. Líder em software e serviços para gerenciamento de informações e segunda firma de software no mundo, a Oracle atua em 145 países e está redirecionando seus esforços tecnológicos na área de bancos de dados para o setor Internet. Como forma de acompanhar a crescente demanda brasileira por soluções de bancos de dados, a Unimax <www.unimax.com.br> tornou-se o mais novo distribuidor de valor agregado da Oracle. Em 1986, o presidente da Unimax, Weslyeh Mohriak, trouxe para o Brasil o banco de dados Oracle. Desde então a aceitação este poderoso sistema cresceu descomunalmente no mundo inteiro e agora a empresa quer atuar mais agressivamente nos mercados de médio e pequeno porte, sem deixar de dar a devida atenção ao ambiente corporativo. A Unimax opera através de cerca de 400 revendedores especializados e passou a ser o terceiro VAD (Value Added Distributor) da Oracle no Brasil.


Um engenheiro de sistemas austríaco, Norbert Thumb <thumb@ict.tuwien.ac.at>, reportou um caso curioso que ilustra mais um dos riscos tecnológicos a que estamos expostos. Há poucas semanas, o porta-aviões americano USS Carl Vinson, ao aproximar-se do porto de Hobart, na Tasmânia (Austrália), causou o maior rebú com suas emissões de radio-comunicação na faixa dos 310-320 MHz. As transmissões do vaso de guerra emperraram todas as portas automáticas de garagem das residências e prédios comerciais num raio de 6 milhas. Quem não tinha manivela para abrir o portão ficou com o carro preso. O mesmo já havia acontecido por ocasião da visita anterior do Vinson àquela cidade. A interferência eletromagnética também afetou sistemas de segurança de automóveis na área. Teve gente que não conseguia dar partida no carro de jeito nenhum.


O servidor Web da OTAN foi atacado diversas vezes por ofensivas PING-of-death (Packet Internet Groper) originárias de território sérvio. Esses ataques são um exemplo claro de iniciativas de baixo-custo mas de alto valor destrutivo. O esquema funciona através da sobrecarga de requisições feitas a um dado servidor, de modo que ele não agüenta e acaba caindo. A facilidade com que esse tipo de ação pode ser tomada é um incômodo lembrete da fragilidade de nossas infra-estruturas de informação.


Segundo Peter G. Neumann <neumann@csl.sri.com>, da cyber-resenha RISKS, diversos usuários Internet enviaram meio milhão de e-mails bomba para o site principal da Iugoslávia <www.gov.yu>, causando seu fechamento no início do mês. A guerra dos hackers continuou com grupos americanos, europeus e albaneses corrompendo sites inimigos na Web. Do outro lado, como já dissemos aqui, hackers russos lançaram ataques a sites da Marinha americana. Não se sabe se existe algum patrocínio ou apoio governamental de parte a parte nessas ofensivas. Alguns até desejam que as guerras seja cada vez mais travadas em campos de batalha digitais, como nesse caso dos embates entre hackers. Pelo menos diminuiriam bastante os gastos com armamentos e, no fim das contas, os sistemas acabariam ficando mais robustos, de modo a tapar os buracos por onde os invasores poderiam entrar.


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