O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 415 - Escrito em: 1999-08-03 - Publicado em: 1999-08-09


Sem blasfêmias nem palavrões


Aparato eletrônico censura palavras e frases pesadas na sua TV

Às vezes aparecem umas idéias tecnológicas que podem até ser bem intencionadas, mas que acabam abrindo precedentes indesejáveis, especialmente quando o assunto é censura. Já fizeram muito esforço, por exemplo, para censurar a TV e até a Internet. Particularmente acho que, às vezes, é até necessária uma tesourinha, mas é preciso ficar bem atento, pois é quase certo que os censores, mais cedo ou mais tarde, vão acabar abusando. Coisas da natureza humana.

O mais recente arroubo censurador surgiu sob a forma de um novo aparelhinho eletrônico. Como se sabe, não é de bom tom, na linguagem falada americana, sair dizendo blasfêmias, imprecações, palavrões ou maldições. O Parent's Television Council <www.parentstv.org> é uma das instituições americanas mais atentas a essa degeneração do linguajar. A despeito dos esforços de pais americanos preocupados, que por sua vez pressionam os políticos (Éééé... lá eles fazem isso!) e as empresas da mídia, a linguagem vulgar na TV americana pulou de 0,62 palavras pesadas por hora em 1995, para 0,88 grosserias em 1997. Na categoria PG (Parental Guidance), em que uma criança só pode assistir ao programa junto com os pais, dos 86 programas familiares com uma hora de duração, 42 incluíam obscenidades. Os vídeos de aluguel vão no mesmo ritmo, cada um contendo em média 15 obscenidades por fita.

Atenta a essa torrente de palavreado pesado via TV e de olho no faturamento, uma empresa está vendendo por US$ 200 o Curse Free TV, uma caixinha eletrônica preta, de design bem compacto, que se adapta entre a TV e o videocassete, a caixinha da TV a cabo, o receptor de satélite ou o DVD. Ela automaticamente filtra profanidades e frases ofensivas através do "closed-captioning", aquele engenhoso sistema de letrinhas que aparecem na imagem de TV, como se fossem legendas que rolam nas três ou quatro linhas do rodapé da tela. O Curse Free TV continuamente monitora o texto do closed-captioning embutido no sinal de video das transmissões de TV a cabo e de fitas de video. Cada palavra é comparada a um banco de dados interno com mais de 100 expressões e frases proibidas e, se não aderir ao padrão de pureza vernacular, é "emudecida" no áudio e substituída por palavra mais amena no closed-caption. Segundo os anúncios do site <www.cursefree.com>, o novo dispositivo oferece 95% de garantia de filtragem e seria a salvação das crianças, pois os pais nunca mais precisariam escorraçar os pobres petizes da sala, enquanto estivessem assistindo a seus programas ou vídeos favoritos. Os 5% de falha costumam ser devidos a erros na próprio texto do closed-caption.

Testado com diversos filmes famosos disponíveis em video, o Curse Free TV é capaz de filtrar todas as 17 ocorrências de baixaria sonora em Jurassic Park. Consegue limpar 12 do total de 13 profanidades do filme E.T. (Uau! Tenho que rever esse filme!) e todas as 58 imprecações do filme Volcano. Apesar de ter este desempenho notável com seriados e filmes, o aparato não filtra sujeira de programas ao vivo, tais como coberturas esportivas, notícias e talk shows. Oferece também os modos "tolerante" e "rígido", permitindo que se filtre os nomes de Deus, quando empregados de maneira exclamativa, mas sem bloqueá-los quando se está assistindo a uma programação religiosa na telinha. Não é o máximo, irmãos?


E você? Continua dando seu click diário no Hunger Site <www.thehungersite.com>? A página conta agora com o apoio oficial da WFP - United Nations World Food Program <www.wfp.org/info/Intro/donors/hunger.htm>, órgão da ONU que luta contra a fome e que é a maior organização mundial de socorro alimentar, trabalhando em 80 países. Diante da estupenda repercussão, novos patrocinadores passaram a bancar o projeto e a coisa não pára de crescer. De três semanas para cá, o número de doações dos EUA pouco mais que dobrou, subindo de 513.796 para 1.065.707. No mesmo período, as doações brasileiras quase quadruplicaram, tendo subido de 58.638 para 226.398. Estamos indo bem nessa corrida. Vamos botar prá quebrar, você não paga nada: é só entrar no site e dar um click por dia no botão de doação. Os patrocinadores bancam tudo. Divulgue essa campanha!


Um colega nosso chamado James Callan <jabeca@drizzle.com> conta um episódio recente de truculência de um oficial da Imigração, aqueles guardas de fronteira que ficam caçando imigrantes ilegais querendo entrar nos EUA vindos do México. Este oficial em particular já estava de saco cheio de lidar com clandestinos que ficavam fingindo não entender nem saber falar uma só palavra em inglês durante horas a fio e, de repente, por algum motivo, desandavam a falar fluentemente a língua da rainha. Numa certa tarde de outono, este agente mandou parar um caminhão com mais de trinta ilegais e decidiu tentar algo novo. Começou com a pergunta habitual: "Do any of you speak English? ¿Habla Inglés?"

Naturalmente todos a bordo fizeram com a cabeça que não, com cara de coitados. Fingindo um rompante de fúria, o oficial começou a berrar no mais puro inglês: "OK, bom, olha aqui, estou cansado dessa porcaria. Vou atirar em todo mundo aqui e vai ser agora! Vou começar com quem estiver calçando sapato marrom!!" E sacou sua pistola dum jeito bem violento. Imediatamente, três caras olharam rápido para seus próprios pés. "Você, você e você", disse o guarda, convocando os três como "voluntários" a servirem de tradutores para o resto do grupo. Aceitaram prontamente a missão.


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