O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 435 - Escrito em: 1999-12-20 - Publicado em: 1999-12-27


Pilotando à distância


Software permite acesso remoto e transferência de arquivos

A leitora, suponhamos, está às voltas com uma tia que mora longe e que tem dificuldades com o computador. Que bom seria se você pudesse ver no seu PC a tela dela e controlar a máquina da titia à distância para resolver o problema. Existem há muito tempo programas que possibilitam este tipo de estripulia. A conexão entre máquinas distantes pode ser feita via cabo, pelo modem, através de rede local ou via Internet. Dentre os programas comerciais em voga, o mais tradicional é o pcAnywhere, da Symantec <www.symantec.com>, hoje na versão 9.0, com seu cabo amarelo para interligação entre micros.

Mas se a leitora estiver querendo uma solução rápida e grátis para acesso remoto apenas via Internet, então poderá aproveitar a dica do meu amigo e guru Sidney Simões <sidney@eternal.net>, renomado especialista digital e veterano dos tempos dos BBS. Ele esbarrou num excelente produto dos laboratórios da AT&T na Inglaterra: o VNC (Virtual Network Computing). Segundo Sidney, é simples e rápido de instalar, ideal para controle de servidores e para resolver o velho problema de não se ter telnet no NT. Funciona em Windows, NT e Linux, uma beleza. E o melhor: é de graça e tem o código-fonte oferecido em <www.uk.research.att.com/vnc/>. A equipe do VNC optou por disponibilizar os fontes para que a comunidade pudesse modificar o software e melhorá-lo. Contudo, a grande maioria das contribuições têm sido de gente que portou o VNC para outras plataformas de hardware.

O VNC é um sistema com dois tipos de "pedaços". O primeiro deles roda na máquina da sua tia, aquela que está encrencada com o micro. Este primeiro componente chama-se server (servidor). É ele que vai gerar as telas da sua tia que serão vistas por você e outros usuários remotos que se conectem a ela. O segundo pedaço do sistema é o viewer (visualizador), que vai rodar na sua máquina, leitora, e que vai se conectar ao server, oferecendo uma visão remota do que está se passando na máquina da sua tia. O grande babado do VNC é que o server e o viewer podem estar rodando em máquinas diferentes, com arquiteturas distintas. Sua tia pode estar usando um PC e você pode estar numa workstation Unix, tanto faz. O protocolo que conecta o servidor e o visualizador é bem simples e independente de plataforma.

Outra característica do VNC é que nenhuma variável de estado é armazenada na máquina onde roda o viewer. Isso quer dizer que, no caso de se romper a conexão entre você e sua tia, você poderá ir para uma outra máquina, munido com o viewer apropriado, reconectar-se ao servidor VNC da titia e continuar de onde parou, pois terá sido mantida toda a situação de tela, incluindo a posição do cursor do mouse.

Para o VNC rodar, é preciso que exista uma ligação TCP/IP entre server e viewer, melhor dizendo, sua tia e você precisarão estar conectadas à Internet. O viewer para Windows 32 bits ocupa apenas 150kb e pode ser rodado a partir de um disquete, sem precisar de instalação. Por enquanto, existem servidores apenas para Windows e Unix. Mas visualizadores existem de monte e vão surgindo novos de tempos em tempos. Já se tem viewers para: Acorn RISC OS, AIX, Amiga, BeOS, BSDI, Cygwin32, FreeBSD, Geos, GGI, HP Journada, HPUX, KDE, Linux (RPM e Debian), LinuxPPC, MacOS, MS-DOS, NetBSD, NetWinder, OpenBSD, OpenStep/Mach, OS/2, OSF, PalmPilot, RedHat Linux 6.0, SCO OpenServer, SGI Irix 6.2, SPARC Linux, SunOS 4.1.3, SVGALIB (Linux sem um X server), Single-floppy Linux, VMS 7.1 (VAX e Alpha), Windows CE e Windows NT/Alpha.

É possível também usar seu Web browser como visualizador. A coisa funciona assim. O servidor VNC contém um pequeno servidor Web. Se você se conectar a ele com um browser, poderá fazer download da versão Java do viewer. Você pode pilotar à distância o micro da sua tia a partir de qualquer browser que tenha Java, a menos que esteja usando um proxy para conectar-se à Web. Informe-se com seu provedor para saber se é o seu caso.

O site do VNC é completíssimo, oferecendo desde informações introdutórias até detalhes técnicos da implementação. Lá é possível assinar uma mailing list que traz periodicamente as novidades sobre o software. O FAQ não é um arquivo com informações para novatos, pois dedica-se mais à resolução dos pepinos mais comuns. Quem se propuser a navegar com calma no site encontrará menções ao ORL (Olivetti Research Laboratory), mas a explicação é simples. Em janeiro de 1999, a AT&T <www.att.com> comprou o ORL e a partir dele, juntamente com a Oracle <www.oracle.com>, criou o laboratório da AT&T em Cambridge.

Vale conhecer a página "VNC people", que apresenta a rapaziada que escreveu o programa. Cada foto aponta para a página pessoal deles. Se tiver paciência, poderá aprender o que são os Active Badges (crachás ativos), que de tempos em tempos mandam um sinal com a localização física do funcionário, dentro de um prédio devidamente equipado. Dentre os membros da equipe, troquei mensagem com o Dr. Quentin Stafford-Fraser, que respondeu pronta e gentilmente. Se a leitora baixar o software e gostar do dito cujo, não custa nada mandar um emailzinho para o pessoal, agradecendo. Eles curtem esse feedback.


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