O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 446 - Escrito em: 2000-03-14 - Publicado em: 2000-03-20


Dicionário online para entrar na onda


Nunca mais trema na base ao se deparar com um termo científico ou tecnológico desconhecido

A querida leitora está tão assustada quanto eu, com relação a toda essa corrida tecnológica? Pois então, se estiver, parece uma boa hora para ter à mão uma ferramenta de grande utilidade. Que tal um completíssimo dicionário online de termos científicos e tecnológicos? Basta mirar seu browser para <www.harcourt.com/dictionary> e terá ao seu alcance um excelente dicionário super atualizado e novo, não uma revisão ou derivação d'algum dicionário mais antigo. O conteúdo que pode ser acessado via Web está também disponível em formato impresso com capa dura (US$ 84,00) e em CD-ROM (US$ 79,95). O livrão é da Academic Press, tem 2.464 páginas em inglês e é uma peça que abrilhantaria qualquer biblioteca. Mas, para nossa sorte, os editores resolveram disponibilizar uma boa parte dos 133.007 verbetes via Web mesmo, de graça.

Este notável banco de dados é o produto de quatro anos de pesquisas, num esforço conjunto de mais de 400 pessoas. Abrange um vasto espectro de temas em ciência e tecnologia, mas não se limita a este leque. Alguns verbetes são termos comuns do inglês, sem significado científico. Outros ainda são termos científicos tão raros e especializados que não se encaixam em nenhum dos 125 assuntos cobertos pela obra. Estes temas se agrupam em poucas categorias principais: ciências da vida, ciências físicas, ciências sociais, engenharia, matemática, informática, medicina, generalidades e o famoso "diversos". Apenas para citar alguns desses assuntos: comportamento, engenharia civil, enzimologia, imunologia, inteligência artificial, mecânica quântica, metalurgia, oceanografia, programação de computadores, vulcanologia e zoologia, fazendo desta obra o mais abrangente dicionário científico em língua inglesa que existe.

Os primeiros dicionários em inglês eram produtos de indivíduos isolados, mestres como Samuel Johnson e Noah Webster, que expressavam em seus trabalhos seus vastos conhecimentos e suas predileções particulares. Hoje em dia a coisa mudou de figura, pois as línguas se tornaram tão complexas que um dicionário, feito por apenas uma cabeça, só é possível se ele for suficientemente concentrado em um único assunto ou especialidade. A partir do monumental Oxford English Dictionary (1887-1928), passou-se a produzir dicionários em esforço coletivo. Esta mudança fez com que surgissem categorias de palavras, de modo a facilitar o trabalho das equipes. Primeiro dividiram os termos pela letra inicial, palavras com A iam para um editor, as com B para outro, e assim por diante. Mas, se a obra fosse daquelas imensas, dificilmente uma só pessoa conheceria todas as palavras começadas com a letra R, por exemplo. O dicionário de que tratamos foi produzido originalmente como 125 manuscritos separados, preparados por especialistas em cada área.

Naturalmente, quem adquirir a obra impressa ou o CD-ROM terá acesso a artigos originais complementares, escritos por figurões do ramo, incluindo ganhadores do Nobel. Cada um dos assuntos é apresentado por um articulista diferente. Por exemplo, o termo Chemistry (Química) traz um artigo de apresentação escrito por Glenn T. Seaborg, da Universidade da Califórnia em Berkeley, prêmio Nobel. Já em Crystallography (Cristalografia) é Linus Pauling quem escreve o artigo, outro Nobel.

Para alguns verbetes é apresentada sua etimologia, ou seja, a história da palavra, que pode ser bem curiosa e até divertida. Sabia que sardinha vem do nome da ilha da Sardenha? Sabia também que orangotango vem da palavra em gíria malaia para "homem da floresta"?


Aproveitando que o assunto é ciência, vale repassar a dica do amigo Jorge Vismara <axe@pelourinho.com> para os interessados em Física. Toda essa festa que a leitora anda fazendo, com Web pra lá, email pra cá, tudo isso se baseia em eletricidade, ou seja, movimento de elétrons. Mas já parou para pensar nas origens disso? Imagine o sufoco que foi, em termos de pesquisa, para derrubar séculos de consenso científico e provar a existência de uma partícula invisível com um milésimo do tamanho de um átomo. A descoberta do elétron, em 1897, é apenas um dos fantásticos mistérios que são desvendados diante de nossos olhos no site do Centro para História da Física, do Instituto Americano de Física.

Outras exibições online cobrem os trabalhos de Albert Einstein e do físico e ativista russo Andrei Sakharov. Se, além da Física, você se interessar por Astronomia, Geofísica e Ótica, certamente vai adorar o site. Tem também lá o repositório visual Emilio Segre, que exibe milhares de fotos de físicos e de seus trabalhos. O site é <www.aip.org/history>, divirta-se.


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