O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 447 - Escrito em: 2000-03-22 - Publicado em: 2000-03-27


A obra do sumo-sacerdote


Sabedoria e arte na Colina da Babilônia

Em 1989 começava a se formar uma comunidade estável nos BBS's cariocas. No dia 31 de maio desse ano, no Queen's Legs Pub na Lagoa, houve um evento histórico em que se conheceram os mais atuantes BBSzeiros de então. Hoje são todos amigos e sempre se reúnem, seja fisicamente, seja através de mailing lists fechadas via Internet. Este encontro no "Pernas" mudou a minha vida, especialmente por nele eu ter conhecido um sujeito que passei a considerar um mestre de vida, o artista plástico Silva Costa. Às vezes basta meia hora de conversa em seu atelier e ele solta uma daquelas frases que deixam a gente meio zonzo e nos fazem pensar durante uma semana. Hoje com 73 anos de idade, Silva Costa <scosta@iis.com.br> começou a mexer com informática em 1988 e desde então foi encarando um desafio atrás do outro nesse mundo digital. Não há nada que ele ainda não tenha testado em hardware e software. Num desses almoços que promove reunindo a galera das antigas em sua mansão no Alto Leme, quando toca piano e ukelele para o pessoal, Silva Costa desabafou que apesar de já ter uma página montada na Web há vários anos, não havia ainda se tocado de que poderia vender seus quadros também pela Rede. Encorajado pelos amigos, decidiu então remontar seu site, usando HTML puro e simples, sem firulas. Grande parte de sua obra está espalhada pelas residências de um monte de gente fina no Brasil e no mundo, mas basta, por exemplo, passear pelos salões do Iate Clube do Rio de Janeiro para apreciar ao vivo diversas pinturas do mestre adornando os ambientes. Agora então, via Web, é mais fácil ainda. Conheça a vida e a obra artística do sumo-sacerdote dos BBS's visitando sua Exposição Virtual em <www.iis.com.br/scosta>


Estamos bem no meio da mais avassaladora contaminação virótica digital que já assolou o Brasil, senão o mundo: a do Pretty Park. O pessoal o chama vulgarmente de virus, mas tecnicamente falando, trata-se de um WORM (verme) que, a princípio, apenas se reproduz e não necessariamente destrói seus dados. No entanto, se a leitora estiver conectada e tiver um servidor IRC ativo, é possível que o autor do worm penetre na sua máquina e faça o maior estrago. Portanto é bom ficar alerta. O Trend Virus Report <www.antivirus.com/trendsetter/virus_report/> aponta o Pretty Park como sendo a infecção ultimamente mais comum e aquela que mais tem preocupado os usuários. Na verdade, com um mínimo de cuidado ninguém seria infectado pelo Pretty Park. É muitíssimo simples. Com perdões pela repetição, basta que você jamais abra um executável atachado a uma mensagem email. Como se sabe, um executável por ser identificado pelo nome do arquivo. Se a terminação do nome for "EXE", "COM", "BAT" ou "PIF", não dê duplo-click em hipótese alguma, pois estará se arriscando a uma contaminação. O Pretty Park pode aparecer em sua caixa de correio a qualquer momento, atenção! Ultimamente tenho recebido semanalmente entre 10 e 15 mensagens contaminadas. A cara dessas mensagens é sempre a mesma. Elas são aparentemente enviadas por gente que você conhece bem. O subject/assunto do email é "C:\CoolProgs\Pretty Park.exe" e no corpo da mensagem vem o texto "Test: Pretty Park.exe", seguido de um smiley ":)" e do nome da pessoa que estaria enviando o email. O arquivo atachado pode ter 37.376 bytes (cepa original), 17.081 bytes (variante C) ou 60.928 bytes (variante D). Maiores detalhes sobre o Pretty Park e dicas sobre como removê-lo podem ser encontradas em <www.symantec.com/avcenter/venc/data/prettypark.worm.html>. Lembre-se então, leitora: não caia nessa de sair clicando em todo atachado que lhe aparece.


Talvez ainda pior do que receber um Pretty Park pela lata seja cair vítima da recente e desagradável mania de enviar atachados aqueles imensos *.PPS (PowerPoint Slideshow). São apresentações feitas em Microsoft PowerPoint geralmente belíssimas, tocantes, sonorizadas, trazendo mensagens espirituais inspiradoras e emocionantes, com temas humanitários, de amor, fraternidade e bons pensamentos. Virou uma verdadeira febre. Perdoe-me a leitora, mas as mulheres em especial, sensíveis e bondosas como são, tornaram-se o mais terrível vetor de divulgação desta execrável prática. Fato é que a maioria das pessoas acha esses PPS maravilhosos e imediatamente os repassa para todos seus amigos e conhecidos, que por sua vez também se emocionam e encaminham para outros tantos. Acontece que, depois de receber uma meia dúzia desses slideshows o cara começa a perder a paciência, especialmente depois que passam a chegar pela sua mailbox centenas desses arquivões repetidos, provenientes das pessoas mais disparatadas possíveis. Esperemos que este hábito seja apenas mais uma moda e que desapareça o quanto antes.


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