O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 467 - Escrito em: 2000-08-10 - Publicado em: 2000-08-14


Mazelas do email corporativo


Correio eletrônico em empresas vem dando muita dor-de-cabeça

Há dez anos foi fundada uma entidade chamada Coalition for Networked Information (CNI), num esforço conjunto da Associação de Bibliotecas de Pesquisa (ARL - Association of Research Libraries), da EDUCOM e da CAUSE. Desde então, a CNI <www.cni.org> vem batalhando duro pelo progresso na tecnologia das redes de informações, visando incrementar as comunicações no meio acadêmico e o enriquecimento da propriedade intelectual nesse mundão interligado. Além disso, focaliza suas atividades no desenvolvimento de conteúdo sobre informações dispostas em rede; na transformação de organizações, profissões e indivíduos; e na elaboração de padrões em tecnologia e infra-estrutura.

Num recente estudo promovido pela CNI, concluiu-se que as empresas Fortune 500 e Forbes 100 gastam uma fábula com questões de segurança em seus sistemas de correio eletrônico. Em um ano, para cada mil usuários, uma dessas empresas gasta 35 homens-hora controlando spam, 80 homens-hora em prevenção de vírus e 158 homens-hora em outras encrencas ligadas à segurança. Aplicando esses números a uma empresa com, digamos, 10 mil usuários de email, teremos a alocação de 2.740 homens-hora em tarefas de segurança digital. Fazendo as contas para uma companhia desse porte, chega-se à cifra de US$ 118 mil gastos anualmente simplesmente com controle humano da segurança. Ou seja, essa despesa não contempla os gastos com firewall, software anti-vírus, nem software de controle de spam. Obviamente também não leva em consideração o estupendo prejuízo mensal quase imensurável referente ao uso de email para fofoquinhas privadas e à utilização indevida de programetos como ICQ para trocar tititi pessoal com coleguinhas dentro e fora da companhia.

Segurança e produtividade usando email em ambientes profissionais serão questões cada vez mais onerosas. O último relatório de uso corporativo de email internet, elaborado pela WorldTalk <www.worldtalk.com/products/iecur/iecur.shtm>, revela que o custo médio anual de produtividade, para cada funcionário, com respeito meramente à filtragem de spam, é de US$ 600. Este mesmo relatório revela que, nas empresas americanas, 10% do email são puro spam; 9% das mensagens representam vazamento de dados confidenciais ou violações de políticas de comunicação das empresas; 4% são bulk-emails (mensagens com anexos gigantescos ou mensagens não-spam, mas enviadas para centenas de pessoas ao mesmo tempo); 4% contém sacanagem ou ofensas religiosas, éticas e morais; 2% são piadinhas e 2% estão contaminadas por vírus e bombas de email. A questão dos vírus é especialmente delicada pois, o conjunto de mensagens contaminadas pode não causar mal algum à empresa, caso haja treinamento e conscientização do perigo. Mas se algum cabeça de vento resolver double-clickar um único atachado executável maligno, babau a firma toda.

Como forma de coibir o uso indevido de email corporativo, muitas companhias adotam políticas de vigilância das mensagens, o que já vem causando enfurecidas reações por parte de funcionários que não querem ter sua privacidade violada. Uma saída para esses usuários furibundos seria a adoção de criptografia em suas mensagens mas, ainda segundo o relatório da WorldTalk, apenas 0,01% do email empresarial é encriptado, seja com S/MIME, seja com PGP <www.pgp.com>, ou outra ferramenta qualquer.

Nas listas de discussão da Usenet há menção de empresas com fortíssima ênfase em produtividade, abolindo completamente email internet aberto e restringindo comunicações externas aos funcionários de nível de gerência, com todas as mensagens sendo logadas e analisadas semanalmente por funcionários treinados. Será que esse é o futuro?


Vai de vento em popa o mutirão virtual para tradução do assustador documento do Dr. Hyland sobre radiações eletromagnéticas de baixa-freqüência em celulares e estações rádio-base <www.emfguru.com/EMF/hyland/hyland.htm>. Quem quiser conhecer de perto o andamento da nossa ralação, envie email em branco para <emfbr-subscribe@egroups.com> e faça parte da lista que foi criada para tratar desses assuntos. O texto já foi traduzido e encontra-se em fase de revisão. Logo que esta etapa terminar, o material ficará disponível gratuitamente na web, num site a ser informado aqui mesmo. Essa coisa de tradução coletiva via email é um tanto difícil de coordenar, mas costuma gerar bons resultados. Se a turma quiser experimentar, um dos melhores e mais completos textos sobre email internet e listas de assinatura, e que daria ótimo candidato a uma tradução, é o "Help with internet email and mailing lists". Sacie sua curiosidade, leitora, visitando <www.city.grande-prairie.ab.ca/h_email.htm>. Para quem quiser entrar em contato com outras leitoras e leitores, a boa e velha lista do Caderninho, a Infoetc (criada em 14 de junho de 1998), ainda existe. Para assiná-la, mande email em branco para <infoetc-subscribe@egroups.com>.

[2001-02-17] A tradução do texto do Dr. Hyland já está pronta e se encontra em www.yahoogroups.com/files/emfbr . O trabalho foi feito em mutirão e criou-se uma lista gratuita e aberta de discussões para o tema, cuja assinatura se dá com o envio de email em branco para emfbr-subscribe@yahoogroups.com


Está entrando no ar na semana da Comdex (dia 22) o site da produtora Hipermídia <www.hipermidia.net>, hospedado no canal Info&Tech da Globo.Com <www.globo.com/infotech>. Uma vez que tenho um carinho todo especial por esta criança, muito bem concebida por sinal, peço encarecidamente à leitora que anote o email <comercial@hipermidia.net> e que o vá divulgando aos quatro ventos pois, no momento, a faina do site é arregimentar quem queira nele ostentar um belo e vistoso banner.


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