O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 468 - Escrito em: 2000-08-17 - Publicado em: 2000-08-21


Tem coisa melhor do que viajar?


Cuidados ao planejar uma viagem usando a web

Se tudo correu bem, nesse exato instante em que você está lendo esta coluna, já estarei a léguas de distância, do outro lado do Atlântico, curtindo umas merecidas férias junto com a Laiz. E tudo, naturalmente, acertado às pressas graças a um monte de sites fuxicados de madrugada na internet. A quantidade de informações turísticas disponíveis na Rede é algo que beira o inacreditável. Usando sua ferramenta de busca favorita (estou numa fase Google) e sabendo jogar com palavras-chave, é possível achar qualquer coisa online. Todavia, é preciso um bocado de paciência e doses maciças insistência. As ofertas de preço nem sempre são boas. É necessário garimpar, pechinchar e sair catando promoções. Muitos sites oferecem formulários em que você deve preencher suas necessidades de vôos, hotéis, aluguel de carro e tours. Eles se comprometem a responder de volta rapidinho e realmente o fazem.

Há quem tenha receio de fornecer informações pessoais em formulários assim, com medo de que seus dados sejam usados para spam ou para engordar bancos de dados de mala direta. Deixa isso pra lá, leitora. Spam é uma realidade a que teremos que nos habituar. É claro que deve ser combatido, mas não podemos deixar que o temor do spam nos impeça de tirar vantagem do grande barato da Rede, que é justamente a interatividade.

Preenchi algumas dezenas desses formulários e a quantidade de respostas que recebi superou em muito minhas melhores expectativas. Até poucas horas antes do embarque ainda estava enviando replies de agradecimento a essas empresas que responderam prontamente com promoções cada vez melhores. É brabo ficar dias selecionando ofertas, e finalmente fechar um pacotão de viagem para, meia hora depois, receber duas ou três novas mensagens de outras firmas oferecendo tudo aquilo que você queria, com um monte de vantagens adicionais e por um preço menor. Isso aconteceu comigo umas seis vezes nessa maratona. Mas aí o cara não pode se desesperar, chega uma hora que tem pagar o pacote, fazer as malas e ir à luta.

Apenas duas recomendações a quem quiser usar a Rede para planejar e comprar uma viagem. Primeira: nada de sair confiando em qualquer site -- arapucas comerciais existem no mundo inteiro. Procure sempre obter alguma referência sobre a empresa com que você está negociando o pacote. Segunda: é ideal ter na sua cidade um agente de viagens de confiança, de preferência plugado na internet, a quem você possa enviar suas descobertas na web. No meio de tantas promoções e pechinchas, um agente profissional ajuda muitíssimo na função de filtrar informações, pois sabe facilmente discernir entre as ofertas sérias e as fajutas.

No meu caso, já uso há muitos anos os serviços da Amstel Tour <amsteltour@olimpo.com.br>. A dona da agência, Chris Weber, comanda uma equipe capaz de incríveis acrobacias turísticas, extraindo até água de pedra e resolvendo as encrencas mais cabeludas, aquelas que costumam acontecer na última hora, em especial nos casos de viagens improvisadas e amalucadas como costumam ser as minhas. O site é <www.amsteltour.com>.


Como sabemos, todo jornal tradicional que se preze deu um jeitinho de marcar presença na web. Mas porque alguns sites de jornal recebem milhões de visitas por dia enquanto outros definham na obscuridade? O que eles estão fazendo de certo ou de errado? Esta foi justamente a questão central discutida num recente seminário organizado pela AMIC (Asian Media Information and Communication Centre) <www.amic.org.sg>, em conjunto com o Departamento de Indústrias de Mídia e Publicações da empresa de consultoria Diebold Deutschland GmbH <www.diebold.de> e com o BusinessWorld Online <www.bworldonline.com>. Identificando exemplos práticos de sites de jornais que tiveram sucesso, os especialistas participantes deste seminário chegaram a uma conclusão até já meio manjada: as publicações tradicionais devem acrescentar muito conteúdo aos seus web sites de modo a conseguir vencer os concorrentes, ou seja, não podem jamais querer simplesmente reproduzir na web seu conteúdo impresso convencional. O Boston.com, por exemplo, chupa apenas 30% de seu conteúdo da versão impressa do jornal Boston Globe. E mais, é essencial usar o conteúdo convencional do jornal para formar comunidades online, oferecendo ferramentas internas de busca, como faz o jornal Manila Bulletin <www.mb.com.ph>, que publica seu volumoso caderno de classificados num banco de dados pesquisável online. Outro exemplo é o South China Morning Post <www.scmp.com>, que oferece aos viciados em corridas de cavalos um pacote variadíssimo de informações sobre o assunto. Outra boa sacada é a do Bangkok Post <www.bangkokpost.net>, que apresenta na versão impressa uma seção de aprimoramento no idioma inglês e, na versão web, oferece serviços de traduções e treinamento online de vocabulário. Em suma, segundo os bam-bam-bans presentes no tal seminário, o grande lance para jornais convencionais que pretendem se webzar é identificar com precisão seus objetivos, estudar a concorrência, definir o conteúdo, bolar novos serviços, agarrar parceiros potenciais e ter criatividade para gerar um produto que seja diferente desses tantos sites de jornal que não fedem nem cheiram.


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