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O GLOBO - Informática Etc.
Carlos Alberto Teixeira

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Artigo: 604 / Publicação: 2004-10-11

ABAIXO O BLUETOOTH CAPENGA

Ilustração: Grande Mestre CRUZUsuários da Verizon Wireless nos EUA estão zangados com algumas decisões da empresa. Mesmo oferecendo a maior cobertura de sinal no país, a companhia andou um tempo meio atrasada em relação à concorrência no fornecimento de perfumarias tecnológicas aos clientes. E então, finalmente, lançou um flip-celular bem arretado, com viva-voz, câmera, discagem por voz, cartão de memória e Bluetooth -- o Motorola V710. Mas com um pequeno detalhe: Bluetooth aleijado, motivo da justificada zanga do pessoal. Como se sabe, Bluetooth num celular permite, entre outras coisas, sincronizar seus contatos no telefone móvel com os de um PC ou até com os de alguns automóveis (Acura, BMW, Lexus, Toyota, etc). Além disso, permite troca de arquivos com outros dispositivos também equipados com esta tecnologia. Por exemplo, você pode enviar sem-fio as fotos do seu celular para o seu computador de mesa. No entanto, a Verizon inibiu certas funções do Bluetooth de modo a não perder no faturamento. Para transferir fotos, por exemplo, não dá nem para usar o cartãozinho de memória do celular. O pobre usuário tem que enviá-las por email ou então usar o serviço Pix Messaging (da própria Verizon, é claro), pagando US$ 0,25 por foto transferida. Em suma, precisa pagar para mandar suas fotos para si mesmo. Outra meleca é que, para sincronizar seus contatos tem que comprar um cabo de US$ 40.

Aparentemente, o que motivou a empresa a praticar esta pisada na bola foi o medo de que os usuários pudessem trocar "ringtones" entre si via Bluetooth, o que seria um baita prejuízo para a Verizon Wireless neste mercado milionário. Um primeiro usuário pagaria pelo tom e depois poderia distribuí-lo de graça entre seus amigos -- sacrilégio!

Uma vez que não existe ação sem reação, a turma botou pra quebrar. O site NuclearElephant instituiu um prêmio em dinheiro para quem conseguir quebrar o código manco da Verizon para o V710, abrindo o Bluetooth integral através da liberação de duas funções: OBEX (Object Exchange) e OPP (Object Push Profile). Até agora a grana do prêmio já soma mais de US$ 2.100 e não pára de aumentar. O prazo da disputa expira em janeiro de 2005. Além deste prêmio, oferecem US$ 200 pelo melhor "hack", ou seja, algum truque realmente esperto, tipo enviar MP3 pelo Bluetooth, fazer o celular acreditar que está sempre com o flip aberto, abrir os menus de engenharia, mudar fundos de tela e esquemas de cores, destrancar o telefone, permitir transferências via USB e outras coisinhas assim.

Segundo David Pogue, do New York Times, diante de tamanho bafafá, a própria Verizon Wireless já está se coçando, prometendo mudanças no software e jurando que os novos celulares Bluetooth lançados pela empresa virão com todas as capacidades tecnológicas habilitadas. Quanto aos ringtones, fotos e joguinhos, é só pressionar um pouco mais que a empresa entrega os pontos. Que legal viver num país em que os consumidores lutam pelos seus direitos e não se comportam como moscas mortas, não é?


Se a leitora é da área de desenvolvimento, não pode perder o livro de Cláudio Ralha, "Segredos do Visual Studio.NET", pela Digerati Books. É uma mão na roda para quem programa em C#, Delphi, Java, Visual C++ ou Visual Basic, e quer migrar para a nova plataforma da Microsoft. O livro traz três CDs recheados de código, com tutoriais e projetos em Visual Basic.NET, Visual C++, C#, ASP.NET e XML, incluindo a .DOT Gnu (ótima plataforma de desenvolvimento livre), o GPS.NET Global Positioning SDK 1.3 (permite ligar dispositivos GPS a aplicativos .NET) e o Test Track (software para correção de código). Também tem nos CDs: Miracle C Compiler, Visual Browser for C and C++, C# RapidDevKit e XML Spy 5.0. Quer mais o quê?


Realizou-se na semana passada no Hotel Nikko, em San Francisco, o evento "Web 2.0 Conference", com um time de palestrantes de fazer cair o queixo. A lista de patrocinadores também, assombrosa. O objetivo da conferência foi abrir os olhos da comunidade para as incríveis oportunidades para uma nova geração de serviços web. Já são cerca de 1,5 bilhões de usuários de telefones móveis no mundo, com 20 celulares sendo vendidos por segundo no planeta, causando impactos até sociais na Humanidade. Nos EUA, 60% dos habitantes já têm celular e parece modesta a previsão de que ao final de 2005 esta penetração chegará a apenas 70%. A PayPal tá batalhando por um esquema móvel de pagamentos e a Amazon quer que seu site rode bonitinho no browser do celular. E quem será o Google da web móvel? Ainda não se sabe. Depois que a bolha da internet estourou, os cobras disseram que nunca mais haveria fenômeno semelhante. Mas, depois do evento, ficou no ar a pergunta: "Será que eles se tocaram do que está pintando por aí?"


Comentário dum amigo:

De: "André Gurgel" <andre@zenitpolar.com.br>
Para: "Carlos Alberto Teixeira" <cat@iis.com.br>
Enviada em: quinta-feira, 7 de outubro de 2004 16:23
Assunto: RE: << C@T 604 / Publicacao: 2004-10-11 / Abaixo o Bluetooth capenga >>


Oi CAT,

Não é só lá, não. Eu comprei diretamente da Vivo um Kyocera Slider, quase que principalmente porque ele tem um GPS (não funcional). Antes da compra confirmei no site do fabricante (no exterior) a existência de um cabo de conexão com PC. Saltando para o último capítulo da novela, eu descartei o aparelho porque descobri que a Kyocera tem um acordo contratual com a Vivo para não permitir que o celular possa fazer a sincronização de agenda com o micro. Depois eu soube que a Vivo lançou um serviço on-line para fazer o mesmo (só com Motorola, por enquanto), pago, evidentemente.

Abraços.

André Gurgel

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