Programa 0002 - Bloco 1 - WTN

Oi pessoal, tudo bem? Meu nome é Carlos Alberto Teixeira, eu tenho 46 anos e sou analista de sistemas formado pela PUC do Rio. Comecei cursando Fìsica, nessa mesma Universidade. Mas quando me puseram na frente de um computador, aí eu percebi que minha vida iria estar ligada a essas máquinas por um longo, longo tempo. Eu já lido com tecnologia há 27 anos, desde 1979, e venho acompanhando a evolução nessa área com muita atenção. E porque? Porque, assim como você, eu também sou fissurado em tecnologia.

Aqui na WTN, a Web Television Network, eu vou trazer pra você tudo que está aparecendo de novo nesse setor. E você sabe, é uma área absolutamente frenética de lançamentos, invenções, eventos, pesquisas e novidades. É impossível cobrir tudo na mesma velocidade com que as coisas acontecem. Mas a gente vai dando um jeito. Portanto, fique de olho por aqui, que você vai se manter por dentro das últimas paradas hi-tech.

E como nós temos o suporte de um site próprio do programa, você vai poder rever qualquer bloco que tenha chamado a sua atenção, ou mesmo enviar um link para os seus conhecidos via email. Isso tudo, aliado a uma ferramenta fácil de busca, vai permitir que você se intere das novidades sem correria e sem perder nada.

E o mais importante, o tema é tecnologia, mas nem por isso a gente vai encher sua cabeça com termos técnicos, nem conceitos áridos, sofisticados ou impenetráveis. Naturalmente a gente não vai poder escapar por completo de alguns termos técnicos e umas sopas de letrinhas. Mas como você já gosta do tema, então jargão tecnológico não vai ser problema.

Nossa proposta é manter você em dia com esse louco mundo tecnológico que, de um jeito ou de outro, vai nos engolindo aos pouquinhos, quer a gente queira ou quer não.

Mas nesse caminho de descobertas, a gente não pode esquecer que somos humanos, temos espírito crítico, bom senso, e não vamos sair absorvendo e usando tech-novidades assim indiscriminadamente. O importante é analisar de cabeça fria os benefícios reais que cada avanço tecnológico pode trazer às nossas vidas, aceitar o que presta e recusar com firmeza o que não interessa ou que possa prejudicar a nossa vida e a dos nossos familiares e amigos.

Nesse sentido, a sua participação é importantíssima. Escreva pra cá sempre que você quiser. Pergunte, exponha as suas dúvidas, as suas inquietações, dê suas sugestões e reclame à vontade. A nossa equipe vai ler tudo e vai aproveitar o máximo possível desse seu retorno tão valioso.

Se você quiser tirar melhor proveito das nossas dicas, vale a pena assistir os programas com um lápis e papel à mão. É que muitas vezes eu vou mencionar aqui um site na internet, onde você vai poder obter maiores informações sobre um determinado tema, produto ou serviço. E pra isso, eu vou ter que dar o endereço do site, não tem jeito.

Se você estiver assistindo pelo site, sem problema. Mas se estiver vendo só pela TV, vai ocorrer um probleminha, mas nós já temos a solução pra ele. É que na maioria dos casos, os links de internet são expressões longas, complicadas e chatas de anotar. Tem vezes que só mesmo fotografando a tela, mas aí não tem nada a ver, fica inviável. Imagina, você assistindo ao programa com uma câmera digital montada num tripé colocado na frente da TV, só pra fotografar links de internet. Nadavê.

É por isso que nós vamos usar aqui um macete. Existem vários sites até bem famosos e, mais importante!, gratuitos que compactam endereços longos de sites. Eles são uma mão na roda. Em vez de você ter que se lembrar daquelas tripas gigantescas de letras, pontos e números, basta memorizar ou mesmo anotar quatro ou cinco caracterezinhos. O compactador que nós vamos usar aqui é o snipurl.com, moleza de usar, veja só.

Quando aparecer um link aqui embaixo na tela, você já vai estar sabendo que é um endereço do snipurl. Pois bem, já que é um link abreviado e que começa sempre com snipurl.com, então você só vai precisar anotar o que vier depois da barrinha.

Quer ver um exemplo? Pra acessar o verbete "tecnologia" na Wikipédia, que é a melhor enciclopédia livre da internet, basta você anotar as letrinhas "va80", e aí você pode construir o link certo: http://snipurl.com/va80. Mas olhaí, não adianta tentar entender o porque desse va80 não, viu? É só um código gerado pelo site de compatação, não faz sentido nenhum, só serve pro link ficar curtinho e fácil de anotar.

Bom, dada essa dica operacional, eu queria aproveitar o bloco seguinte pra filosofar um pouquinho sobre os antecedentes do desenvolvimento tecnológico da Humanidade. Tá legal? Até daqui a pouco.

(5'04")

[fim do bloco]

Programa 0002 - Bloco 2 - Filosofando sobre tecnologia

Pra nós que vivemos nesse século 21, tecnologia é uma coisa que de certo modo já está até diluído no sangue da gente. É claro que tem gente que é completamente avessa a coisas técnicas, tipo a minha tia, por exemplo, que deixa o vídeocassete piscando no 12 zero zero o tempo todo e só consegue programar o dito cujo lendo uma receita de bolo.

Mas se você está aqui vendo esse programa, então é porque gosta ou quer se familiarizar com o mundo tecnológico. No entanto, será que alguma vez já parou para pensar no que significa tudo isso e quais impactos a tecnologia vai ter sobre as nossas vidas dentro de, digamos, uns 30 anos?

O avanço tecnológico vem se dando num ritmo totalmente alucinante. Mas se a gente prestar atenção, ele geralmente não acontece em grandes saltos. São pulinhos, vários pulinhos. Eles podem acontecer diariamente, mas a gente vai se acostumando a eles de maneira quase indolor. O que pesa é que, ultimamente, a cadência das mudanças tem se tornado avassaladora, fazendo com que a gente nem tenha tempo de analisar com a devida calma os impactos das novidades que estamos vendo pipocar a todo momento, e que, certamente, vão alterar nosso padrão de vida.

Por exemplo, quando surgiram as cidades modernas, ninguém se perguntou se as vidas das pessoas se distanciariam tanto da Natureza que elas começariam a desenvolver doenças decorrentes do sedentarismo e da falta dos desafios naturais que o nosso corpo foi aparelhado para enfrentar.

Quando surgiram os Shoppings Centers, ninguém questionou de imediato se aquela nova modalidade de comércio iria massificar os nossos hábitos de consumo e nos forçaria a engolir uma estética geométrica, perfumada e engaiolada de lojinhas, espaços fechados, ambientes climatizados, praças de alimentação e estacionamentos pagos.

Quando começou a desaparecer a figura do médico da família, sendo substituída pelas clínicas e pelos planos de saúde, a gente não se tocou que a relação humana entre doutor e paciente poderia ficar seriamente prejudicada, gerando um distanciamento que eliminaria quase completamente aquela interação legal e saudável entre as almas, que tem efeito tão positivo sobre a o ânimo e a saúde de quem tá doente.

Outro exemplo, assim que surgiram os primeiros condomínios fechados, nenhum de nós imaginaria que eles iam se transformar em verdadeiras prisões, com grades, seguranças armados e um clima de tensão constante, que a princípio não teria nada a ver com o local que a gente escolheria como moradia.

Diante desse panorama, a gente pode ver claramente a facilidade com que esses novos modelos e hábitos foram se insinuando nas nossas vidas, sem que a gente parasse um momentinho sequer para analisar essa novidade toda, nem as suas possíveis conseqüências. Pois bem, todos esse casos que eu citei não deixam de ser inovações tecnológicas, implicando em mudanças de padrões.

Mas é aí que tá o risco. Existe um componente terrivelmente forte e bem disfarçado nas entrelinhas -- é a tendência quase universal de a gente considerar benéfica, a princípio, toda e qualquer novidade tecnológica.

Quando pinta um barato novo nesse setor, sempre mostram prá gente os aspectos mais belos e positivos da questão. Para encorajar a adoção dessas tecno-novidades, só chegam ao conhecimento da grande massa os melhores cenários possíveis, levando ao povão a falsa idéia de que a vida de todo mundo vai se transformar num mar de rosas, graças simplesmente à adoção plena dessa nova técnica, seja lá ela qual for.

Mas analisando friamente, o poder invasivo da tecnologia é até meio perigoso, e sabe porque? Porque ele é quase invisível. Nós, os cidadãos medianos temos uma visão pessoal de mundo extremamente limitada. Essa restrição acontece, primeiro porque a gente tem pouco tempo livre, pois estamos lutando e trabalhando pra sobreviver. Em segundo lugar, falta grana, prá gente poder investir na ampliação dos nossos horizontes. Tô falando assim na grande massa, né?

E tem um agravante. As informações que o cidadão médio obtém para se encontrar neste vasto oceano de dados flutuantes costumam vir de fontes meio viciadas e tendenciosas, que em geral divulgam informações que estão de acordo com os interesses das fontes de poder, ora bolas.

No caso dos modernos gadgets eletrônicos, entra em jogo o velho fascínio do ser humano pelas maquininhas e engenhocas. E aí, nesse embalo, lá vamos nós, na falsa idéia de que toda e qualquer nova tecnologia será super-benéfica pra todo mundo, ou, pelo menos, de que mal ela não vai fazer.

(5'06")

[fim do bloco]

Programa 0002 - Bloco 3 - O método do "pé atrás"

Quando a gente entra no automático e se vê instantaneamente fascinado por uma novidade tecnológica, é justamente aí que é preciso ligar o nosso olhar crítico. Mas sem exageros, é claro. Obviamente, a tecnologia quase sempre tem algum lado positivo, mesmo que ele não se manifeste na primeira fase de sua adoção e sim só mais tarde, quando criadores, desenvolvedores e usuários já tiverem batido muito a cabeça pra torná-la realmente útil a todos, e não apenas a alguns.

Se a gente for aplicar uma abordagem mais prudente, o certo seria considerar qualquer novidade tecnológica como sendo negativa, até prova em contrário. Ou seja, pé atrás, direto.

Olha, não faltam exemplos de pessoas e instituições que foram vítimas da tecnologia. Entraram de gaiatos num "conto do vigário". Se tivessem sido avisados a tempo, talvez não se metessem nessa roubada. Quer ver só? Fumantes, gente que sofreu com radiação, com doenças urbanas, pessoas que foram vítimas de acidentes de trânsito, estresse, complicações sociais e de relacionamento, indivíduos envenenados por componentes químicos modernos ou pela poluição sonora e eletromagnética que nos atinge nas áreas urbanas.

Algumas atitudes são recomendáveis quando a gente vai analisar uma nova tecnologia. Em primeiro lugar, muito cuidado quando a descrição dos benefícios de um tal avanço for apresentada pelo próprio fabricante. Aí tem que ficar de olho aberto, porque ele só vai dizer maravilhas sobre a novidade.

Uma coisa tem que entrar na nossa cabeça: uma tecnologia nunca é neutra, e nem grátis. Ela sempre vai ter conseqüências sociais, políticas e ambientais. Só que os efeitos negativos aparecem devagarzinho e a memória de nós do povão, infelizmente, é curta. Mas mesmo assim, a gente não pode se curvar à idéia de que, uma vez instalada uma tecnologia no planeta Terra, ela nunca mais poderá ser abandonada. Nada disso, pode sim. Se ficar provado que é nociva, pode até haver muita briga entre os prós e os contras, mas no final das contas, em benefício do gênero humano, aquele avanço tecnológico específico vai sair de cena.

Existiram vários casos assim. Um dos mais chocantes foi um remédio chamado Talidomida, usado na década de 60 pra amenizar o enjôo e o mal-estar de gestantes. Muitos dos nenéns dessas mamães nasceram deformados, e o medicamento teve uso proibido para mulheres grávidas.

Nós estamos rumando para uma era de mega-tecnologias. Olha só o computador e a internet, por exemplo. Quais os efeitos que eles estão tendo nos hábitos de vida da gente? E a poluição eletromagnética dos ambientes, com Bluetooth, Wi-Fi, celulares e ondas de rádio? E os problemas de saúde causados pelo uso dessas equipamentos nos escritórios, nas fábricas e mesmo nos lares? E quanto ao emprego? A produtividade das empresas aumentou ou diminuiu, com funcionários usando tempo de expediente para ler e responder emails pessoais. E navegar na web em sites que nada têm a ver com o serviço? Isso ajuda as empresas?

Fora isso, quanta gente foi, é e ainda será demitida por causa das sucessivas automatizações e informatizações corporativas? As mudanças impostas pela tecnologia nem sempre estão de acordo com as reais necessidades da mesma sociedade que a utiliza. Tem muitos interesses em jogo e nós, pequenininhos, somos apenas marionetes neste teatro sem-graça.

Tem outra coisinha. O avanço da era digital tem levado a um controle muito mais minucioso sobre a vida e os assuntos particulares do cidadão comum. E mais. Tá aumentando de maneira alucinante a velocidade com que a gente é obrigada a engolir e digerir informações. É uma verdadeira torrente e ninguém dá conta de absorver tudo, gerando uma sensação de sempre estar para trás, devendo alguma coisa, não sendo capaz de abarcar tudo que aparece.

Olha, não tô querendo lhe assustar não, só quero esclarecer o meu ponto. Você por acaso já se tocou que as máquinas comandam hoje em dia até o que nós não gostaríamos que elas comandassem? Exemplos: fábricas de alimentos, fornecimento de água e energia, e o sistema financeiro e econômico mundial.

(4'40")

[fim do bloco]

Programa 0002 - Bloco 4 - Apocalipse agora?

Outro exemplo marcante de tecnologia que inspira cuidados é o da televisão, que se fosse utilizada sempre de maneira proveitosa, como nós estamos fazendo aqui no nosso caso, poderia ser uma ferramenta miraculosa pra transmutar a mente de toda a população terrestre.

Só que, infelizmente, multidões vivem suas vidas quase inteiras mergulhadas num mundo fictício criado por esse poderoso meio de comunicação de massa. Liberdade de expressão é para os poderosos. O Zé Povinho fica mesmo hipnotizado, sentado diante da telinha engolindo novela, filme violento, desagregação familiar e maus exemplos. Existem opções, mas a passividade impera. Ela nos é ensinada e nela somos adestrados.

A captação dos fatos vindos da telinha é baseada numa realidade meio confusa, às vezes sem lastro em fatos reais. Hoje, em muitos países, e a gente sabe muito bem disso, elege-se um Presidente da República pela TV. Quem souber falar melhor, se vender melhor, mesmo que esteja mentindo descaradamente, acaba se elegendo.

Que sabe, num futuro distante, se a Humanidade tiver a sorte de sobreviver até lá, a gente vai ter colônias espaciais e até seres humanos vivendo em outros planetas? Que beleza.

Vamos testemunhar avanços surpreendentes na genética, na nanotecnologia e na ciência da computação. O ritmo de aparecimento dessas novidades vai permitir que a gente dê vazão ao melhor de nós, mas ao mesmo tempo pode ser que aflore o nosso lado mais negativo.

Antigamente o pessoal acreditava que o Apocalipse chegaria através da guerra, da peste e da fome. Alguns diziam que uma catástrofe repentina varreria a Humanidade do planeta. Mas será que a esperada "limpeza" do gênero humano vai acontecer assim tão de repente?

Vamos analisar só por um instante as drogas alucinógenas, como exemplo. Elas poderiam servir, a princípio, para abrir canais de consciência, dando acesso a setores mais internos e ocultos de nossa mente. Mas o uso das drogas foi desviado para o vício, visando ao lucro astronômico dos gigantes do tráfico. Isso resultou no uso indiscriminado dessas drogas, com todos os desdobramentos cruéis que a gente conhece muito bem.

O poder econômico por trás destes grandes movimentos mundiais, seja no narcotráfico, seja no comércio de armas, seja no âmbito das grandes corporações tecnológicas, é algo que escapa completamente ao poder de estimativa do ser humano comum, nós, que estamos centrados no dia-a-dia.

Tem uns profetas aí que acreditem que os armamentos, os cartéis, as drogas, a intensificação do consumismo, a ânsia pelo "possuir" e a escalada incessante das novas tecnologias -- tudo isso seria uma forma de efetuar a tal "limpeza" do Apocalipse, mas numa cadência menos traumática e mais amena, com as causas e efeitos piedosamente diluídos ao longo do tempo.

Sei lá, parece meio exagerado. Mas se alguém pudesse voltar ao passado numa máquina do tempo e dissesse para nossos avós, na juventude deles, que no futuro as crianças brincariam em parques cercados de grades, que elas comeriam e beberiam preparados químicos, que ficariam horas por dia tendo seus cérebros programados e lavados diante de uma tela luminosa hipnótica... Ou então, que essas mesmas crianças adoráveis passariam tardes inteiras manipulando um teclado ligado a uma caixa metálica para brincar de joguinhos eletrônicos em que atirariam e virtualmente matariam centenas de oponentes e monstros de toda espécie, certamente nossos avós não acreditariam em nada disso, e nos chamariam de loucos.

Mas teve um velho bem sábio que disse certa vez. Só se aprende mesmo, errando. Só não erra quem não tenta. E é assim, com erros e acertos, que a tecnologia veio pra ficar e no final todos nos beneficiaremos dela.

Até o próximo programa! Um grande abraço.

(4'18")

[fim do bloco]