O GLOBO - Informática Etc. - Carlos Alberto Teixeira
Artigo: 425 - Escrito em: 1999-10-12 - Publicado em: 1999-10-18


Adeus ao hífen de "e-mail"


Não deixarás saudades, ó sinal inútil

Um dos maiores semideuses da informática, Donald Knuth, começou a produzir suas sagradas escrituras em 1962. Este professor de Stanford, atualmente aposentado, escreveu o evangelho da ciência da computação. Qualquer programador que se preze já estudou noites a fio em cima dos três parrudos volumes do "The Art of Computer Programming", coleção que já vendeu milhões de cópias e que já foi traduzida para dezenas de idiomas. Para conhecer mais sobre este profeta, visite <http://www-cs-faculty.stanford.edu/~knuth/> e conheça seus feitos, pontos de vista e seu fascínio por órgãos de tubo.

Evoco aqui o sacrossanto nome de Knuth motivado por uma angústia que me vinha atormentando há tempos, causada nada mais, nada menos, que por um mero hífen. Visitando a página em que Knuth explica porque não usa correio eletrônico (Santa inveja!) finalmente encontrei o amparo espiritual que procurava para tomar a seguinte decisão. Esta é a última vez em minha vida que escrevo "e-mail" com hífen.

Segundo Knuth, palavras novas no jargão tecnológico muitas vezes são cunhadas contendo um hífen que acaba desaparecendo à medida que seu uso vai se tornando universal. Exemplos clássicos são "non-zero" e "soft-ware". A mesma tendência se verifica com centenas de outros vocábulos na língua inglesa, como "on-line" que já quase virou online. Portanto, já é tempo de pararmos de usar a forma arcaica de email com hífen. Imagine a leitora quantos bytes economizará e quantas digitadas inúteis de hífen no seu teclado você irá evitar se decidir mudar agora. A forma "email" já é comum na Inglaterra há vários anos, mas nos EUA ainda se teima em grafar o termo à antiga.

Se meu testemunho pessoal lhe for de alguma valia, cara leitora, saiba que depois que comecei a escrever email sem o hífen venho sentindo uma leveza indescritível em minh'alma. Experimente e me diga depois.


A leitora que passa pela Barra da Tijuca e vê aquela réplica da Estátua da Liberdade certamente já sabe que ali será o New York City Center, o primeiro shopping de entretenimento do país. Talvez já saiba também que o empreendimento vai oferecer ao público, além de várias lojas temáticas, um Multiplex com 18 cinemas da Universal Paramount, uma casa noturna do Ricardo Amaral e a primeira loja Gameworks <www.gameworks.com> fora dos EUA.

Mas o que realmente nos interessa é que vai ser inaugurado neste shopping, no dia 4 de novembro próximo, o Cyber Café Mr. Coffee, cujo projeto de execução está nas mãos de Josana Róiz <josana@mail.org>. Vai ser um espaço super agradável onde, além de surfar à vontade, o cliente poderá aprender as coisas da Rede a partir do zero: como usar um browser, como pesquisar na Internet, como administrar uma conta de email, como fazer compras online e tudo mais. Muita gente tem uma certa vergonha de entrar num cursinho só para captar esses conhecimentos básicos, mas no Cyber Café Mr. Coffee essa instrução irá sendo dada de maneira bem descontraída e natural. Serão oferecidas contas de correio eletrônico para os clientes, no formato <cliente@mrcoffee.com.br> e vai rolar também muita disputa de jogos online, transmitidas para um grande telão localizado na entrada da loja.

Este Cyber Café <www.mrcoffee.com.br/cybercafe/> será o modelo para outras cafeterias da rede Mr. Coffee, que já possui 22 lojas aqui no estado. Com o sucesso do Cyber, a franquia, presente há doze anos no Rio, irá oferecer um pacote similar às futuras lojas Mr. Coffee.

O espaço vai se localizar nos fundos da loja, justamente para propiciar maior sossego e privacidade aos internautas e game-maníacos. Ficará no primeiro piso, loja 116-A, e terá um projeto arquitetônico diferenciado das demais lojas da rede. Serão a princípio quatro máquinas interligadas e plugadas à Internet. Através de um valor pago antecipadamente, o cliente poderá ficar conectado quanto tempo quiser. Certamente vai ser um point de encontro e badalação para todas as idades. A gente se vê lá.


Surgiu em certas mailing lists da Rede um novo desafio: encontrar a frase mais curta em português que contenha todas as letras do alfabeto, incluindo K, W e Y. A disputa está pegando fogo. A frase poderá conter um nome próprio, para resolver a questão das letras estrangeiras. Minha humilde contribuição, após horas de intensa concentração nas madrugadas, foi: "Frei Walkyrio jamais pegava caixote quebrado sozinho." Quem escrever para <cat@oglobo.com.br> até quarta 1999-10-27 com a frase mais curta, terá vencido a contenda. Mãos à obra!

(Vide desdobramento e resultado deste desafio.)


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